quinta-feira, 9 de maio de 2013

Cronologia histórica de Santa Maria


A ilustração da capa é a foto mais antiga
da cidade, que se estende pela última capa.
   Neste dia 10 de maio de 2013, na 40ª Feira do Livro de Santa Maria, haverá o lançamento, pela Editora da UFSM, da 3ª edição da Cronologia Histórica de Santa Maria e do extinto município de São Martinho, de Romeu Beltrão.
   A 1ª edição, com 199 páginas, foi publicada pelo autor, em 1958, quando a cidade comemorava o centenário de sua emancipação política. A obra tinha suas raízes em uma série de textos publicados por Beltrão no jornal A Razão, na década de 1950.
   O autor continuou, de forma incessante, seu trabalho de minuciosa pesquisa, ampliando consideravelmente a obra, que não chegou a ver publicada, pois faleceu em 15 de novembro de 1977, aos 64 anos. Deixou aos seus filhos a recomendação de que a publicassem, o que resultou na 2ª edição, com 500 páginas, em 1979.
   O livro de Romeu Beltrão é uma das mais valiosas e fundamentais obras da historiografia santa-mariense, há muitos anos esgotada. Uma nova reedição era ansiosamente esperada, e a decisão da Editora UFSM de publicar uma 3ª edição, anunciada na abertura da Feira do Livro de Santa Maria, em 28 de abril de 2012, foi entusiasticamente aplaudida pelos presentes.
Entrada da 40ª Feira do Livro de Santa Maria,
na Praça Saldanha Marinho.
   Sob a coordenação do Prof. Pedro Brum Santos, diretor do Centro de Artes e Letras/UFSM, uma equipe formada pelos professores Vitor Biasoli, Beatriz Weber e José Antonio Brenner trabalhou na revisão do conteúdo, enriquecendo a obra com várias notas, indispensáveis quando se reedita um livro histórico escrito há mais de três décadas.
   São comentários importantes para o leitor atual, em razão do desenvolvimento das pesquisas e da citação de locais que sofreram transformações, ao longo do tempo. Além disso, foram inseridas muitas fotos da cidade, de diferentes épocas, o que resultou em um alentado volume de 776 páginas.


A foto mais antiga da cidade, de autor desconhecido, é da Rua do Acampamento, na direção sul-norte.  Foi restaurada por José Antonio Brenner, a partir de foto publicada na Revista do Centenário, em 1914.
   Para ilustração da capa, a equipe escolheu a foto considerada a mais antiga da cidade, que foi restaurada a partir de um pequeno clichê publicado em 1914, na Revista do Centenário de Santa Maria, onde é datada de 1890, deve ser, porém, anterior a esse ano. 
A 3ª edição da Cronologia histórica de Santa Maria... está disponível na Feira, desde sua abertura, em 27 de abril último, mas terá seu lançamento oficial em 10 de maio

Romeu Beltrão, o autor.
   Romeu Beltrão nasceu em Santa Maria, no dia 29 de junho de 1913. Após formar-se médico, em 1934,  pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, hoje da UFRGS, começou a trabalhar em São Pedro, fixando-se em sua terra natal, no ano de 1937. Foi um homem múltiplo: além de sua atividade profissional, foi professor no ensino médio e em diversos cursos superiores, escritor, historiador, cronista, botânico e paleontólogo.  Em sua variada e extensa produção científica e literária, seu legado maior é a Cronologia histórica de Santa Maria e do extinto município de São Martinho, agora nesta muito bem-vinda 3ª edição.



   Nesta Feira do Livro de Santa Maria, a obra de Beltrão é um dos livros mais vendidos, devendo ultrapassar os 160 exemplares, até o encerramento, no domingo, dia 12 de maio. 

sábado, 27 de abril de 2013

Bom Jardim-Ivoti no palco da história


Capa
    No próximo dia 2 de maio, na 31ª Feira do Livro de Ivoti, haverá o lançamento de Bom Jardim-Ivoti no palco da história, Editora Feevale, um substancioso livro de 520 páginas.
    A obra, que conta com a participação de vários autores e autoras, registra, sob diversos enfoques, a história da colônia alemã de Bom Jardim, iniciada em 1826, quando era chamada Berghahnerschneiß, a Picada dos Berghahn, primitivos colonos no local.
     No Estado Novo, a antiga denominação, de raízes anteriores à colonização alemã, foi mudada, em 1938, para Ivoti, que significa flor, em Tupi-Guarani. Por sua antiga denominação e por seu atual nome indígena, Ivoti é chamada a "cidade das flores". 

Ivoti fica a 12 km ao norte de Novo
Hamburgo pela BR-116.
    O livro é o resultado de uma iniciativa do Grupo de Estudos da História de Ivoti, fundado em 2005, que tem o Prof. Roque Amadeu Kreutz  como coordenador, orientador e revisor das pesquisas, bem como organizador dos livros a serem publicados. 
    Assim, ele é o organizador de Bom Jardim-Ivoti no palco da história e autor da maior parte dos textos. O Prof. Kreutz, Mestre em Educação, foi professoer de Língua Portuguesa e de Metodologia de Pesquisa em pós-graduação, na UFSM, onde exerceu a função de Coordenador do Curso de Letras. Publicou várias pesquisas em livros e revistas especializadas. Aposentou-se e fixou residência em Ivoti, desde 2000. 
    O antigo território da Freguesia de São Pedro do Bom Jardim corresponde hoje, principalmente, ao Município de Ivoti e tem partes nos municípios de Presidente Lucena, Lindolfo Collor (Picada Capivara), Picada Café e Estância Velha. Por essa razão, o livro inclui histórias além dos limites do município de Ivoti.

    Atores e cenário de uma época
    Sob esse título está minha participação no livro. Trata-se da tradução, com comentários, de uma extensa carta escrita em 1833 pelo colono alemão Johann Friedrich Böbion, emigrado de Niederlinxweiler, perto de Sankt Wendel, no atual Sarre. Com sua filha Henriette Katharina e seu genro Jacob Adamy, estabeleceu-se, em outubro de 1829, nos cerca de 77 hectares do lote colonial nº 46, que haviam comprado na Picada 48.
    Böbion escreveu a carta para outro genro, Jacob Lind e sua filha Louise Katharina, que viviam na aldeia de origem. Entretanto, eles haviam emigrado para o Canadá, dois anos antes, sem o conhecimento de Böbion, em razão da difícil comunicação entre os continentes, especialmente entre um colono instalado no sul do Brasil, na mata virgem – in den Urwald, como ele chamou –, e seus parentes em uma aldeia européia. 
    Não sendo encontrados os destinatários, a carta foi preservada no arquivo de alguma instituição e pôde ser publicada por KELLER, Hansheinz. Neue Heimat Brasilien, Bad Kreuznach, Pandion, 1963. Johann Friedrich Böbion descreveu a viagem no grande veleiro Olbers, a chegada à colônia, os males e privações, mas também a fartura dos produtos da "terra abençoada por Deus com rica fertilidade, onde tudo sempre enverdece e floresce," como escreveu. Citou os colonos da vizinhança, indicando os locais onde viviam.

A 31ª Feira do Livro de Ivoti, estará aberta de 2 a 8 de maio, no maior
núcleo de casas em enxaimel do país,
 no Buraco do Diabo, das Teufelsloch.
    Patronos
    A comissão organizadora da Feira Municipal do Livro de Ivoti 2013 escolheu os coautores do livro Bom Jardim-Ivoti no palco da história como patronos do evento. Assim, me tornei co-patrono da Feira, generosa distinção que muito me honra. 
    No dia 30 de abril, às 19h30, no auditório do Clube de Diretores Lojistas de Ivoti, haverá o lançamento oficial do livro, que será entregue às autoridades e aos autores. No mesmo local, a Câmara de Vereadores realizará sessão especial de homenagem aos autores, concedendo-lhes diploma de agradecimento e reconhecimento. Será condido o título de cidadão emérito de Ivoti a Roque Amadeu Kreutz, Ademir Rost e Herta Sporket Patro.
A Ponte do Imperador sobre o Rio Feitoria foi construída com blocos de arenito, entre 1857 e 1864. O nome é uma homenagem a D. Pedro II, que proveu as dotações necessárias para a construção.
    De Bom Jardim para Santa Maria
    Na corrente migratória das antigas colônias alemãs para Santa Maria, algumas famílias eram originárias  da Freguesia de São Pedro do Bom Jardim.
    Em 1857, dois anos após a morte de Johann Friedrich Böbion (o autor da carta), seu genro Jacob Adamy vendeu suas terras na Picada 48.  Chefiando um grupo familiar de 15 pessoas – esposa, filhos, genro, nora e netos –, ele mudou-se para suas novas terras na região do Pinhal, próxima a Santa Maria. No grupo estavam o genro Peter Daniel Gehm, natural de Katzenbach/Baviera Renana, e o futuro genro, Martin Zimmermann, nascido em Bom Jardim, em 9.11.1831.  Eram parte das 11 famílias pioneiras que fundaram a pequena colônia alemã do Pinhal, que gerou o atual município de Itaara.
    Em 1862, o alfaiate Abraham Cassel, natural de Ulmet/Renânia-Palatinado, deixou Bom Jardim e se estabeleceu em Santa Maria, com a esposa, sete filhos e os sogros.
    Em 1867, foi criado o distrito (freguesia), São Pedro de
Bom Jardim abrangendo, entre outras, a Picada 48 e a Picada Café.
    Luiz Cechella nasceu em 1889, na Picada Café, incluída no citado distrito. Era filho do italiano Luigi Cechella e de Maria Luiza Link, natural de Picada Café. Com seus pais e irmã, ele mudou-se para Santa Maria, casando, no Pinhal, com Amantina Izabella Adamy, em 1909. Junto veio o tio João Link Sobrinho.
       Todos esses geraram extensa e importante descendência em Santa Maria, com valiosa contribuição para o desenvolvimento da cidade e região.

sábado, 20 de abril de 2013

Quartel centenário – Santa Maria


O mais antigo quartel do Exército, em Santa Maria, o quartel-general da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, a “Brigada Niederauer”, completa cem anos de inauguração neste dia 21 de abril de 2013.
Foi construído em decorrência da reorganização do Exército, para o aquartelamento do 7º Regimento de Infantaria, criado por essa mesma ação.

O quartel construído para o 7º Regimento de Infantaria, hoje da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, ostenta na fachada o nome de seu patrono.
Terreno – Uma grande área, no fim da Rua do Comércio, atual Dr. Bozano, foi doada pelo Município, na gestão do intendente Ramiro de Oliveira (1908-1912). A acentuada elevação naquele ponto, conhecida como “alto da coxilha”, não favorecia o prolongamento da Rua do Comércio, já bastante edificada no último quarteirão.
Confrontava com a Rua da Caturrita, assim chamada porque demandava a um subúrbio com esse nome, hoje bairro da cidade. Em abril de 1913, a Rua da Caturrita passou a chamar-se Av. Borges de Medeiros.

Cel. Augusto Maria Sisson
O projeto – Foi elaborado pela Comissão Construtora de Quartéis, sob direção do engenheiro militar coronel Augusto Maria Sisson. O projeto foi aprovado pelo governo, que o definiu como modelo para outros quartéis a serem construídos na Região Militar.
O edifício principal caracteriza-se por um Ecletismo tipológico, composto por elementos que orientam o estilo quanto à finalidade e que o identificam como construção militar.  A solução simétrica enfatiza o centro de equilíbrio, onde há dois pavimentos, tendo no superior as salas do comando.
As platibandas têm ameias imitando os parapeitos de fortalezas e nos cunhais há miniaturas de torreões ameados, elementos que atribuem à edificação um explícito caráter castrense.
O projeto da fachada foi publicado no Diario do Interior, em 22.4.1913.
A construção – Foi dirigida pelo engenheiro militar Oscar Barcellos, com reconhecida experiência em outras obras militares, no Rio e em São Paulo.
Na cidade, com pouco mais de 10 mil habitantes, não havia saneamento básico, e o transporte de carga era feito por carros de bois ou carroças, o que resultaria em grande morosidade. Então Barcellos construiu um grande açude, arrendou uma olaria, ampliando-a em área física, fornos e máquinas, e construiu ramais ferroviários ligando a obra à Viação Férrea e à olaria.
Iniciou a terraplenagem, em dezembro de 1910, e as fundações em meados de 1911, quando chegou ao canteiro de obras o primeiro trem de nove vagões carregados de blocos de pedra, extraídos e aparelhados na Parada Pedreira, no km 8 na Linha da Serra.
Nas coberturas foram usadas placas de cimento-amianto imitando ardósia. As telhas desse novo material, inventado em 1895,  foram importadas da Europa, provavelmente da fábrica Eternit, na Bélgica
Foto de Venâncio Schleiniger, em 1913, mostra a cobertura de cimento-amianto.
A estrutura de aço das coberturas foi fabricada na Alemanha pela afamada indústria Krupp. No edifício principal foram usados ladrilhos hidráulicos importados da Bélgica. No átrio, foi instalado um lustre da famosa fábrica de luminárias Holophane, fundada em Londres, em 1898. Também foram importados da Europa aparelhos sanitários, divisões metálicas para as baias, grades, caixa d’água e cimento. A escada para o pavimento do comando, fabricada em louro pela empresa local Denovaro & Plasencia, tem corrimão com tendência Art Nouveau. 

Ladrilhos belgas - Lustre Holophane - Escada Art Nouveau
Inauguração
Oscar Barcellos entregou a chave do quartel ao General Julio Barboza, em 4 de abril de 1913 e, no dia seguinte, o 7º Regimento que esteve alojado em barracas e aquartelado na Brigada Militar, transferiu-se para seu novo quartel.
A inauguração ocorreu em 21 de abril de 1913, iniciada á tarde com os festejos realizados pelos inferiores e praças do 7º Regimento.
Às 21 horas teve lugar a cerimônia inaugural, com a presença dos  generais comandantes da Região Militar e da 3ª Brigada Estratégica, do comandante do 7º Regimento de Infantaria, dos engenheiros militares, o coronel Augusto Maria Sisson e o major Oscar Barcellos – que foram homenageados –, a oficialidade e muitas pessoas da sociedade santa-mariense. Foram servidos champanha e finos doces, enquanto  teve lugar um animado baile, nos salões da administração, ao som da banda de música do 7º Regimento.
No ato da inauguração, a cidade expressou seu reconhecimento em bronze.
O 7º R. I. esteve muito ligado à história de Santa Maria, durante os 95 anos em que permaneceu na cidade, inclusive com outras denominações. Sua banda de música, formada em 1909 com 34 músicos, hoje a mais que centenária banda da 3ª Divisão de Exército, participava de eventos sociais, esportivos, recepções na gare da ferrovia e até de cortejos fúnebres de algumas personalidades. Até hoje, muitos santa-marienses, quando se referem ao antigo e valioso quartel, ainda o chamam de “O Sétimo”. Desde a construção e até a segunda metade do século passado, uma faixa em alto-relevo, na fachada, continha a inscrição "Quartel do 7º Regimento de Infantaria", depois reduzido para "7º R I".
 
No ponto mais central da fachada, a inscrição mantém a denominação histórica.
6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer
Em 1987, o quartel tornou-se o Comando da 6ª Brigada de Infantaria Blindada que, em 1992, recebeu a denominação histórica de “Brigada Niederauer” e o respectivo estandarte histórico. Assim, o Exército prestou a devida homenagem à memória do heróico João Niederauer Sobrinho, personalidade maior da história militar regional
A 6ª Brigada de Infantaria Blindada valorizou sua identidade, reverenciando dignamente nosso herói de guerra e ilustre cidadão. O nome do patrono é ostentado na fachada do seu quartel, patrimônio arquitetônico e referência marcante na paisagem urbana e na história da cidade, por isso merecedor de conservação e proteção por tombamento.
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No jornal A Razão, Santa Maria, na edição deste fim de semana, 20/21.4.2013, publico artigo com mais detalhes referente a esse tema.

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Fontes
Arquivo Histórico Municipal de S. Maria:
A Tribuna, Santa Maria, edições 28.4.1909, 1.5.1909 e 11.8.1909
Diario do Interior, Santa Maria, edições 11.8.1911, 25.3.1913 22.4.1913
BINATO de Almeida, Luiz Gonzaga e BRENNER, José Antonio. Arquitetura em Santa Maria: um roteiro, Santa Maria-Cidade Cultura, Conselho Municipal de Cultura, Pallotti, 2003.
BRENNER, José Antonio. Brigada Niederauer, Diário de Santa Maria, 22/23.1.2011.
Ordem do dia do Com. do 7º Regim. De Infantaria, 30.4.1909.
Ordem do dia do Com. da 3ª Brigada Estratégica, 26.7.1911.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Os 185 anos da chegada dos Weber

   A família Weber do meu trisavô paterno chegou à Colônia Alemã de São Leopoldo há 185 anos, no dia 16 de dezembro de 1827. Era composta por Johann Lüdger Weber, padeiro, evangélico, sua esposa, Anna Maria Wittmann, católica, e quatro filhos pequenos.
   Stromberg
   Eram todos naturais da aldeia de Stromberg, no Hunsrück, 10 km a oeste do histórico porto de Bingen sobre o Reno, muito movimentado, desde o tempo dos romanos. Stromberg foi citada pela primeira vez em documento, no ano de 1344, mas teve início muito antes, ao pé do Stromburg, um castelo do século X, demolido pelo Arcebispo de Mainz, em 1116. Foi depois reconstruído, tornando-se a morada do audaz cavaleiro Hans Michael Elias von Obentraut (1574-1625). Hoje transformado em hotel, Stromburg é um dos principais endereços da gastronomia, na Alemanha.
No nordeste da Região do Hunsrück, Stromberg é próxima do porto de Bingen o que reforça a suposição da viagem pelo Reno até Amsterdã, com embarque no veleiro holandês Epaminondas.
   Em Stromberg, ainda hoje uma pequena cidade de 3.200 habitantes, são extraídos a céu aberto os minérios de ferro limonita e goetita. Stromberg e Stromburg têm seus nomes associados ao Guldenbach, um arroio torrentoso (Strom) que se precipita de uma altura de 160 metros num trecho de 8 quilômetros.
Parte de Stromberg, ao pé do Stromburg, um castelo medieval. À direita, a Talstrasse, Rua do Vale, no centro histórico.
   Emigração
   Pode-se imaginar a dramática situação em que Weber se encontrava para arrojar-se à longa, penosa e perigosa viagem, com a esposa em avançado estado de gravidez e três crianças, entre 3 e 5 anos de idade, com destino a um país desconhecido, no outro lado do grande oceano. Inicialmente, em pequeno veleiro pelo Reno, desde o porto fluvial de Bingen até Amsterdã. Depois, cruzando o Atlântico, supostamente no veleiro trimastro holandês Epaminondas (Hunsche & Astolfi 2004), que partiu de Amsterdã, em 7.7.1827, chegando ao Rio 83 dias depois, em 28.9.27. No primeiro mês dessa travessia, nasceu Jakob. Após três meses e meio, a maior parte desse tempo, certamente, alojados na Armação da Praia Grande (hoje Niterói), partiram para o Sul no bergantim costeiro Conceição Imperador, em 12.12.27.
   Imigração
  Quando chegaram à Colônia Alemã de São Leopoldo, em 16 de dezembro de 1827, Johann Lüdger Weber tinha 35 anos, sua esposa Anna Maria Wittmann, 26 anos. E os filhos Johann Ludwig, 5 anos; Andreas, 4; Clara, 3 e Jakob, cerca de cinco meses. Integravam a mais numerosa leva dos primeiros sete anos da imigração alemã, 559 pessoas transportadas em dois barcos costeiros.
  Weber instalou-se como padeiro na então nascente povoação de São Leopoldo, iniciada pelos colonos.  Em 1829, ali nasceu João Weber, o último filho do casal imigrante.
  Johann Lüdger Weber morreu afogado em São Leopoldo, com 39 anos, em 28.1.1832, deixando cinco filhos menores, entre 2 e 9 anos e a jovem viúva Anna Maria, com 30 anos, que dois anos depois casou com o padeiro Georg Haas.
  O nome do genearca foi escrito de forma variada, nos registros católicos em Santa Maria e São Leopoldo, referentes a batismos de seus netos e ao casamento de seu filho Andreas: João Lauderio Weber, João Eleutherio Weber, João Lotarius Weber, tentativas de traduzir o segundo prenome. Em sua única assinatura conhecida ele escreveu Littger em vez de Lüdger. Ambas as formas são encontradas na Alemanha, o que traz dúvida sobre o verdadeiro nome de Weber.
Assinatura na antiga escrita alemã, no registro de casamento em Stromberg, em 5.5.1821. Weber assinou Littger em vez de Lüdger, citado no documento.
Juliana Katharina Bohrer Weber, aos 78 anos, em
casa de seu genro Pedro Balduino Brenner.
    Os irmãos Andreas (André), Jakob e João Weber estabeleceram-se em Santa Maria, em diferentes datas.  André Weber trabalhava como viajante comercial, chamado na colônia de Musterreiter. Viveu em Santa Maria até sua morte, em 8.8.1866, com 42 anos de idade, deixando viúva sua mulher, Catarina Hoehr Weber.
   Jakob Weber, após o falecimento de sua primeira esposa, Joana Bopp, casou, em 19.5.1859, com Juliana Katharina Bohrer, nascida em Lomba Grande, em 30.6.1838, filha do casal de imigrantes Friedrich Bohrer e Anna Maria Engers.
   Logo após o casamento, o casal mudou-se para Santa Maria, onde Jakob estabeleceu-se com selaria. Alguns anos depois, em 1866, Jakob Weber foi um dos fundadores da Comunidade Evangélica Alemã. O casal teve oito filhos: Anna Sofia, Christiana, Alberto, Lindolfo, Elíbio, Carlos, Júlia, Luiz e Maria Paulina. Júlia, chamada Julinha, casou com Pedro Balduíno Brenner, meus avós paternos.
   O irmão mais moço, João Weber, casou em Santa Maria, em 9.9.1858, com Joanna Sophia Niederauer, irmã do heroico Cel. Niederauer.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A.T.C. - Presidentes esquecidos (3)


Mais um ex-presidente do Avenida Tênis Clube, não incluído na galeria de fotos:

   Antonio Rodrigues de Azevedo
Eng. Antonio Rodrigues de Azevedo
   Entre as decisões da reorganização do Exército, iniciada em 1908, estava a construção de novos quartéis. Na década de 1920, a Companhia Construtora de Santos, na época a maior empresa brasileira no ramo, talvez na América do Sul, realizava obras militares em 19 cidades do Estado, inclusive o quartel do 5º Regimento de Artilharia, em Santa Maria. A posição geográfica e a facilidade de transporte ferroviário levaram a empresa a instalar na cidade, no último trimestre de 1921, seu escritório central e residência do engenheiro chefe, no Estado, Antonio Rodrigues de Azevedo.


   No Avenida Tênis Clube  
   Proposto e admitido sócio do Avenida Tênis Clube, na sessão de 3.6.1922, logo conquistou o apreço e a estima do quadro social, por sua capacidade de liderança e experiência administrativa. Nove meses depois, foi eleito presidente do clube, na assembleia geral de 15.3.1923, realizada no Clube Caixeiral.
   Em sua primeira sessão de diretoria, em 22 de abril, foi decidida a mudança para a Praça do Mercado, com a construção de três quadras de tênis e pavilhão social.
   Também ficou decidido instalar uma sede provisória para convívio, reuniões e esportes de salão, em um prédio da Primeira Quadra da Rua do Comércio que, no fim do ano seguinte, seria rebatizada Rua Doutor Bozano. A inauguração ocorreu na tarde de 3 de maio que, à época, era o feriado comemorativo do Descobrimento do Brasil. Muitos sócios compareceram ao ato que se estendeu com jogos de pingue-pongue, xadrez e outros. Essa sede continuou muito movimentada, sendo ali disputado um campeonato de pingue-pongue.
   Em 18 de maio, o presidente Azevedo oficiou ao Intendente Municipal, pedindo que fosse concedida ao A.T.C. “por tempo indeterminado, a área atualmente desocupada e existente na Praça do Mercado, para nela construir os melhoramentos que deseja.” Anexou o projeto com as quadras esportivas e o pavilhão social, elaborado pelo escritório local da Cia. Construtora de Santos.

Desenho com base em descrições e fotos.
   Praça do Mercado era o nome popular de uma área sem qualquer tratamento paisagístico que fora doada ao Município, em 1900, para a construção de um mercado, o que nunca ocorreu. Em 1913, foi oficialmente denominada Praça 15 de Novembro, nome não adotado pela população. Era limitada pelas ruas do Comércio (Dr. Bozano), Duque de Caxias e Cel. Niederauer. A leste limitava com particulares, e somente anos depois foi aberta ali a rua que tomou o nome de Ernesto Marques da Rocha, por coincidência o intendente que concedeu o uso da área ao A.T.C.
   Em agosto, o projeto foi exposto na vitrina da Chapelaria Americana, na Primeira Quadra, atual Calçadão. Para a obtenção dos recursos necessários, foi lançado um plano de empréstimos pelos sócios, por meio de apólices, restituíveis por sorteio, que teve pleno sucesso.

   Inauguração
   Perante grande número de pessoas, a nova sede foi inaugurada, na noite de 15 de dezembro de 1923, sábado, um fato marcante na cidade, então com pouco mais de 15 mil habitantes. O ato inaugural foi seguido de um baile animado pela banda "Choro da Aviação". O Diario do Interior, no dia seguinte, noticiou que “constituiu notável acontecimento no mundo desportivo e social santa-mariense a inauguração solene, ontem realizada, da confortável praça de esportes do Avenida Tênis Clube e do elegante pavilhão destinado à sua sede social, levantado na Praça do Mercado”. Destacou os materiais da construção das quadras, com pedra britada, carvão, areia e terra argilosa.
Trecho de notícia no Diario do Interior. (Arq. Hist. Munic.)

Espirobol
   Na descrição das instalações esportivas, o jornal citou uma quadra de basquete que talvez tenha ficado em projeto, pois, nos anos seguintes, nenhuma atividade desse esporte foi referida em atas ou em notícias.     Croquet, de origem francesa, era um jogo com bolas de madeira, impelidas por um taco, devendo passar sob pequenos arcos, em trajeto predeterminado. Ligado à história do tênis, o croquet era praticado no A.T.C. desde seu início. Espirobol era jogado com uma bola pendurada por uma corda ao topo de um mastro.
   No domingo, foi jogado um torneio com o Bagé Tênis Clube, como parte do programa inaugural, disputando a “Taça Santa Maria” oferecida por Joaquim Junqueira Rocha. Venceu o A.T.C., por 3 a 1.
  Em reconhecimento ao importante trabalho de Antonio Azevedo na presidência do A.T.C., ele foi declarado sócio benemérito e seu nome foi dado à quadra nº 1 do clube.
Sede na Praça do Mercado. À direita, o portão de acesso pela Rua Doutor Bozano
e parte do pavilhão social. (Acervo Casa de Memória Edmundo Cardoso)
Ao fundo da quadra nº 1,
a placa denominativa:
PELOUSE
DR. AZEVEDO
   Por ocasião da transferência do eng. Antonio Rodrigues de Azevedo para o Rio de Janeiro, uma festa de despedida foi realizada no clube, em 19.3.1924, quando foi instituída a “Taça Dr. Azevedo”.

   Durante muitos anos, o eng. Azevedo continuou vivo na memória do clube. O jornal A.T.C., de 23.12.33 homenageou o ex-presidente, proclamando: “Um dia tudo mudou. Progresso, três pelouses, pavilhão, salão de festas, conforto, jardins, tudo muito chique. [...] Quem fez esse prodígio? Todos sabem. Seu nome está lá no alto de uma pelouse.”
   Não está mais, a denominação da quadra foi mantida no posterior período na Praça da República, mas homenagem e a placa foram indevidamente descartadas nas instalações da Av. Dois de Novembro.

domingo, 11 de novembro de 2012

A.T.C. – Presidentes esquecidos (2)


Na série de artigos sobre ex-presidentes do Avenida Tênis Clube ausentes na galeria de fotos, abordo hoje
   Oswaldo Cordeiro de Farias
   Nascido em Jaguarão, em 16.8.1901, Oswaldo Cordeiro de Farias cursou a Escola Militar do Realengo/RJ, sendo declarado oficial de artilharia, em 1919.
   Participou da conspiração que precedeu o levante armado de julho de 1922 contra o governo federal, dando início às revoltas tenentistas.
   Santa Maria
   Após três meses de prisão, foi transferido para Santa Maria. Como faziam vários oficiais do exército, transferidos para a cidade, o tenente Cordeiro de Farias associou-se ao Avenida Tênis Clube.
   Iniciou sua participação nas diretorias do clube, quando foi eleito orador, em 15.3.1923, na gestão do eng. Antonio Azevedo, gerente da seção estadual da Cia. Construtora de Santos.
   Na assembleia de 12.8.1923, Cordeiro de Farias foi aclamado vice-presidente, no lugar da jovem Dinah Oliveira, impedida de exercer esse cargo, de acordo com os novos estatutos, por ser menor de 21 anos.
   Na ausência do eng. Azevedo, ele foi presidente em exercício por meses, quando atuou intensamente na construção da nova sede, na Praça do Mercado (Saturnino de Brito).
   Na sessão extraordinária de inauguração, em 15.12.1923, coube ao jovem oficial o ato formal de entrega das nova instalações do Avenida Tênis Clube ao quadro social e à cidade.
   Presidente
   Na assembleia de 19.3.24, Cordeiro de Farias, então com 22 anos de idade, foi eleito presidente do Avenida Tênis Clube.
Assinatura em ata do A.T.C. revela que
o nome era escrito com "w".
   Foi no A.T.C. que ele conheceu Avany de Barcellos, com quem casou, anos depois.      Avany era filha do eng. militar Cel. Oscar Barcellos, chefe da comissão de construção de quartéis. A família mudara-se para Santa Maria, em 1921, e em novembro daquele ano, Avany foi citada entre as jovens tenistas que frequentavam as duas quadras do clube, na Praça da República. Oscar Barcellos logo se tornou inspetor geral da Cia. Construtora de Santos, a maior do país, com muitas obras militares no Estado e escritório central em Santa Maria. Essa empresa atuou consideravelmente na construção da nova sede do A.T.C. e, na gestão de Cordeiro de Farias, ela perdoou uma dívida de mais de quatro contos de réis, referente às obras.
   Em agosto de 1924 o presidente Cordeiro ausentara-se por tempo indeterminado e passara o comando do clube ao vice-presidente, o comerciante Joaquim Junqueira Rocha.
No dia 5.10.1924, estando na cidade por poucos dias, foi homenageado pelo clube, com a manifestação de que pudesse logo reassumir a presidência.
Ten. Cordeiro de Farias à
época da Coluna Prestes
   Revolucionário
   Não pôde voltar à presidência do clube, pois naquele mesmo mês Cordeiro de Farias participou do levante tenentista deflagrado em Uruguaiana, exilando-se na Argentina, em novembro.
Logo se juntou aos demais contingentes rebeldes do Estado, reunidos sob a liderança de Luiz Carlos Prestes. Em 1925, os rebeldes gaúchos se juntaram aos remanescentes do levante de julho, em São Paulo, formando a Coluna Prestes, na qual Cordeiro teve atuação relevante, comandando um dos seus quatro destacamentos.

Em 1928, no Rio de Janeiro.
Tempos turbulentos de pré-revolução.
   
   A Coluna Prestes era um forte movimento tenentista contrário ao sistema das oligarquias e ao presidente Arthur Bernardes, lutando para destituí-lo e reformar a ordem social e econômica do país. Após longa marcha por vários estados, terminou em fevereiro de 1927, com vários líderes se exilando na Bolívia, inclusive Cordeiro de Farias. 
   Absolvido, participou de Revolução de 1930 e assumiu importantes cargos na Era Vargas. 
   
   
   
   Interventor
Oswaldo Cordeiro de Farias,
Interventor Federal no R.G.S.
   No Estado Novo, foi nomeado Interventor Federal no R.G.S., em 1938, quando esteve em Santa Maria, na Exposição Estadual daquele ano. Em seu discurso, lembrou a hospitalidade sem limites que aqui recebera, quando jovem tenente, onde conhecera “a companheira que tem sido o ponto de apoio nos dias de derrota e nos dias de sucesso.” Aqui ele vivera “os mais belos dias, sonhando com a Redenção do Brasil.” Citando as amizades aqui estabelecidas, destacou o joalheiro João Péreyron, seu consócio no Avenida Tênis Clube, que lhe garantira a sobrevivência, enviando-lhe recursos financeiros, no desterro boliviano. 
 
Avany de Barcellos Cordeiro de Farias,
quando primeira-dama do Estado.
 Promovido a general de brigada, em 1942, deixou a interventoria gaúcha, no ano seguinte, para se integrar na Força Expedicionária Brasileira, na 2ª Guerra, quando comandou a Artilharia da FEB, na Itália.
   Em 1945, em oposição a Vargas, articulou sua deposição.
Em 1954, foi eleito Governador de Pernambuco.
   Foi Ministro no governo de Castelo Branco, demitindo-se em 1966, por discordar da candidatura de Costa e Silva. Depois, opôs-se ao Ato Institucional nº 5 (AI-5) e defendeu ativamente a distensão política, deixando em seguida a vida pública.
   Oswaldo Cordeiro de Farias teve curto mandato no Avenida Tênis Clube, mas atuou intensamente em sua gestão, como também na anterior, como vice-presidente no exercício da presidência.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A T C – Presidentes esquecidos (1)


Carlos Menna Barreto

Alguns antigos presidentes do Avenida Tênis Clube estão ausentes na galeria de fotografias de ex-presidentes.
Até pouco tempo, faltavam as fotos de duas jovens fundadoras, que presidiram o clube no período inicial em que era comandado por mulheres: Aracy Pinto de Azevedo, segunda presidente, em 1918, e Odette Appel Lenz, 3ª presidente, em 1920. Mas essas faltas já foram corrigidas.
Recentemente, verifiquei outras omissões. Supostamente, quando foi iniciada a galeria, há cerca de 30 anos, não foram obtidas as fotos desses presidentes, cujas eleições e gestões estão registradas nas atas.

Dr. Carlos Menna Barreto
Detalhe da foto de um grupo, nos
anos 1930. Acervo Casa de Mem.
Edmundo Cardoso
Entretanto, não foi esse o caso do Dr. Carlos Ribeiro Menna Barreto, que foi presidente em 1936, num período em que nenhuma ata foi registrada, durante um ano e meio .
Embora sem registro no livro de atas, houve uma assembleia para eleição do presidente e do diretor esportivo, em razão das renúncias de João da Costa Ribeiro e Rivadávia Ribeiro, conforme o jornal A Razão, na edição de domingo, dia 11.10.1936.
 A notícia anunciava a instalação de uma copa e um amplo programa, “que fará reviver as páginas inesquecíveis com que o A.T.C. tem brindado os seus associados,” incluindo a disponibilidade de três quadras de tênis. Referia-se, possivelmente, a alguma reconstrução, porque o clube já tinha três quadras, na Praça da República.

Trecho da notícia em A Razão, edição de 11.10.1936.
Acervo Arquivo Histórico Municipal de S.M.
Outro jornal da cidade, o Diario do Interior, também noticiava Menna Barreto como presidente do clube, na edição de 16.10.1936, referente a uma excursão tenística a São Gabriel: “o diretor esportivo, Sr. Ennio Brenner, está organizando a missão, – que será chefiada pelo Dr. Carlos Menna Barreto, presidente do Avenida...”
Outra notícia, no dia seguinte,  ampliava a informação: “A missão, que é composta de 25 pessoas da elite social santa-mariense vai chefiada pelo presidente do A.T.C., Dr. Carlos Menna Barreto, que com esta excursão inicia sua atividade na diretoria do clube da Praça da República. O Sr. Ennio Brenner, diretor esportivo, tomou todas as providências para o completo êxito da excursão.”
 Os excursionistas viajaram nos trechos Santa Maria-Cacequi-São Gabriel, em carro-motor da Viação Férrea, veículo adaptado para trafegar sobre trilhos. 
À frente do carro-motor: 1. Dr. Altino Paz, 2...? 3...? 4. Carlos Lang.
5. Ennio Brenner (de chapéu). À porta do carro, Dr. Severo do Amaral.

Carlos Menna Barreto nasceu em Uruguaiana, em 1897. Ingressou na Faculdade de Medicina de Porto Alegre, de onde se transferiu, em 1919, junto com outros 16 colegas, para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na qual se formou médico. Tal transferência tornara-se possível, desde 1900, quando fora decretada a equiparação das faculdades.
Casou em Uruguaiana, com Sara Iolanda da Maia, e estabeleceu-se em Santa Maria. Anunciava-se como oculista e especialista em ouvidos, nariz e garganta, com consultório na Rua Floriano Peixoto, 899. Em outubro de 1936, instalou novo consultório junto com a residência, na Rua Venâncio Aires, 1782. Atendia também no Hospital de Caridade.

Instituto Dr. Menna Barreto, na Rua Valle Machado.
Guia Geral do Munic.de S. Maria, 1953.
Acervo Casa de Mem. Edmundo Cardoso
Mais tarde, criou o Instituto Dr. Carlos Menna Barreto, instalado em edifício de três pavimentos, na Rua Valle Machado, considerado um dos mais bem equipados do Estado, onde realizava cirurgias e internava pacientes. Continuava a praticar a medicina de caridade, anunciando: “as pessoas pobres são atendidas gratuitamente, das 8 às 9 horas.”

O Dr. Carlos Menna Barreto faleceu em 5.11.1962, no Hospital São Francisco da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre. Tinha 65 anos de idade e hospitalizara-se na capital, para tratamento de uma grave doença.