sábado, 27 de abril de 2013

Bom Jardim-Ivoti no palco da história


Capa
    No próximo dia 2 de maio, na 31ª Feira do Livro de Ivoti, haverá o lançamento de Bom Jardim-Ivoti no palco da história, Editora Feevale, um substancioso livro de 520 páginas.
    A obra, que conta com a participação de vários autores e autoras, registra, sob diversos enfoques, a história da colônia alemã de Bom Jardim, iniciada em 1826, quando era chamada Berghahnerschneiß, a Picada dos Berghahn, primitivos colonos no local.
     No Estado Novo, a antiga denominação, de raízes anteriores à colonização alemã, foi mudada, em 1938, para Ivoti, que significa flor, em Tupi-Guarani. Por sua antiga denominação e por seu atual nome indígena, Ivoti é chamada a "cidade das flores". 

Ivoti fica a 12 km ao norte de Novo
Hamburgo pela BR-116.
    O livro é o resultado de uma iniciativa do Grupo de Estudos da História de Ivoti, fundado em 2005, que tem o Prof. Roque Amadeu Kreutz  como coordenador, orientador e revisor das pesquisas, bem como organizador dos livros a serem publicados. 
    Assim, ele é o organizador de Bom Jardim-Ivoti no palco da história e autor da maior parte dos textos. O Prof. Kreutz, Mestre em Educação, foi professoer de Língua Portuguesa e de Metodologia de Pesquisa em pós-graduação, na UFSM, onde exerceu a função de Coordenador do Curso de Letras. Publicou várias pesquisas em livros e revistas especializadas. Aposentou-se e fixou residência em Ivoti, desde 2000. 
    O antigo território da Freguesia de São Pedro do Bom Jardim corresponde hoje, principalmente, ao Município de Ivoti e tem partes nos municípios de Presidente Lucena, Lindolfo Collor (Picada Capivara), Picada Café e Estância Velha. Por essa razão, o livro inclui histórias além dos limites do município de Ivoti.

    Atores e cenário de uma época
    Sob esse título está minha participação no livro. Trata-se da tradução, com comentários, de uma extensa carta escrita em 1833 pelo colono alemão Johann Friedrich Böbion, emigrado de Niederlinxweiler, perto de Sankt Wendel, no atual Sarre. Com sua filha Henriette Katharina e seu genro Jacob Adamy, estabeleceu-se, em outubro de 1829, nos cerca de 77 hectares do lote colonial nº 46, que haviam comprado na Picada 48.
    Böbion escreveu a carta para outro genro, Jacob Lind e sua filha Louise Katharina, que viviam na aldeia de origem. Entretanto, eles haviam emigrado para o Canadá, dois anos antes, sem o conhecimento de Böbion, em razão da difícil comunicação entre os continentes, especialmente entre um colono instalado no sul do Brasil, na mata virgem – in den Urwald, como ele chamou –, e seus parentes em uma aldeia européia. 
    Não sendo encontrados os destinatários, a carta foi preservada no arquivo de alguma instituição e pôde ser publicada por KELLER, Hansheinz. Neue Heimat Brasilien, Bad Kreuznach, Pandion, 1963. Johann Friedrich Böbion descreveu a viagem no grande veleiro Olbers, a chegada à colônia, os males e privações, mas também a fartura dos produtos da "terra abençoada por Deus com rica fertilidade, onde tudo sempre enverdece e floresce," como escreveu. Citou os colonos da vizinhança, indicando os locais onde viviam.

A 31ª Feira do Livro de Ivoti, estará aberta de 2 a 8 de maio, no maior
núcleo de casas em enxaimel do país,
 no Buraco do Diabo, das Teufelsloch.
    Patronos
    A comissão organizadora da Feira Municipal do Livro de Ivoti 2013 escolheu os coautores do livro Bom Jardim-Ivoti no palco da história como patronos do evento. Assim, me tornei co-patrono da Feira, generosa distinção que muito me honra. 
    No dia 30 de abril, às 19h30, no auditório do Clube de Diretores Lojistas de Ivoti, haverá o lançamento oficial do livro, que será entregue às autoridades e aos autores. No mesmo local, a Câmara de Vereadores realizará sessão especial de homenagem aos autores, concedendo-lhes diploma de agradecimento e reconhecimento. Será condido o título de cidadão emérito de Ivoti a Roque Amadeu Kreutz, Ademir Rost e Herta Sporket Patro.
A Ponte do Imperador sobre o Rio Feitoria foi construída com blocos de arenito, entre 1857 e 1864. O nome é uma homenagem a D. Pedro II, que proveu as dotações necessárias para a construção.
    De Bom Jardim para Santa Maria
    Na corrente migratória das antigas colônias alemãs para Santa Maria, algumas famílias eram originárias  da Freguesia de São Pedro do Bom Jardim.
    Em 1857, dois anos após a morte de Johann Friedrich Böbion (o autor da carta), seu genro Jacob Adamy vendeu suas terras na Picada 48.  Chefiando um grupo familiar de 15 pessoas – esposa, filhos, genro, nora e netos –, ele mudou-se para suas novas terras na região do Pinhal, próxima a Santa Maria. No grupo estavam o genro Peter Daniel Gehm, natural de Katzenbach/Baviera Renana, e o futuro genro, Martin Zimmermann, nascido em Bom Jardim, em 9.11.1831.  Eram parte das 11 famílias pioneiras que fundaram a pequena colônia alemã do Pinhal, que gerou o atual município de Itaara.
    Em 1862, o alfaiate Abraham Cassel, natural de Ulmet/Renânia-Palatinado, deixou Bom Jardim e se estabeleceu em Santa Maria, com a esposa, sete filhos e os sogros.
    Em 1867, foi criado o distrito (freguesia), São Pedro de
Bom Jardim abrangendo, entre outras, a Picada 48 e a Picada Café.
    Luiz Cechella nasceu em 1889, na Picada Café, incluída no citado distrito. Era filho do italiano Luigi Cechella e de Maria Luiza Link, natural de Picada Café. Com seus pais e irmã, ele mudou-se para Santa Maria, casando, no Pinhal, com Amantina Izabella Adamy, em 1909. Junto veio o tio João Link Sobrinho.
       Todos esses geraram extensa e importante descendência em Santa Maria, com valiosa contribuição para o desenvolvimento da cidade e região.

5 comentários:

Marcia disse...

Parabéns, tio, por mais essa contribuição valiosa que resgata a história do povo alemão em nosso estado. Viajei ao passado lendo sua descrição clara e rica em detalhes do livro a ser lançado. Abraço.

Marilia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marilia disse...

Parabéns, Prof. Brenner, por mais essa valiosa contribuição sobre os imigrantes alemães que aportaram em S.Maria.
Também apreciei muito as informações sobre a família de Luiz Cechella, que casou com Amantina Adamy, com os quais tenho ligações por conta de casamento com um neto deles.
A propósito, sou a criadora do website sobre a Família de Luigi Cechella (imigrante italiano que originou a família Cechella de Santa Maria). Ver em:
http://www.cechella.com.br

José Antonio Brenner disse...

Visitei o seu site, enviado pelo amigo Aloyzio.Incluí Luiz Cechella porque Picada Café fazia parte do distrito de São Pedro do Bom Jardim, criado em 1867. Já havia me chamado a atenção o fato de Luiz Cechella participar das sociedades alemãs daqui, com o Clube Atiradores Santamariense e o Deutscher Hilfsverein, inclusive casou com uma Adamÿ. Está explicado.

Ruth Poitevin disse...

Olá. Quando foi publicado o livro?