sábado, 26 de maio de 2012

Santa Maria 215 anos


Neste ano de 2012, em que se comemora 154 anos da emancipação política de Santa Maria, que até 1858 era o 4º Distrito de Cachoeira, devemos lembrar que houve muita história anterior, desde o nascimento da povoação, há 215 anos.
Santa Maria nasceu em consequência de ações estratégicas. Foi por causa de uma retirada estratégica da Partida Portuguesa da 2ª Subdivisão da Comissão Demarcadora de Limites entre terras de Portugal e Espanha, em 1797, que se estabeleceu o início do assentamento da povoação.
Em razão do Tratado de Santo Ildefonso 20 anos antes (1777), as comissões de ambos os reinos tratavam de estabelecer as divisas – um trabalho de repetidos conflitos. Em 1797, Portugal e Espanha estavam em estado de guerra não declarada, e foi ordenado ao comandante da Comissão que deixasse a região das Missões e buscasse proteção junto a uma guarda portuguesa.
Em 18 de julho de 1797, o capitão Joaquim Félix da Fonseca, astrônomo e comandante da Partida, comunicou ao comissário espanhol sua retirada do Povo de São João Baptista, hoje no Município de Entre-Ijuís.  Se ele cumpriu as recomendações de seus superiores, a comunicação foi feita após ter descido a Serra de São Martinho e se encontrar sob proteção da Guarda Portuguesa, estabelecida junto ao Arroio dos Ferreiros. Não se sabe, porém, em que dia e mês foi assentado o acampamento que gerou Santa Maria.
Detalhe do mapa de 1800 mostrando a Guarda Portuguesa, a oeste, e o "Acampamento da Expedição" que gerou Santa Maria. Acrescentei cores às edificações e aos cursos d'água para torná-los mais visíveis. 

No topo da coxilha que hoje é o centro de Santa Maria, foram montadas as instalações para abrigar o numeroso grupo de pessoas. Eram oficiais e seus escravos, engenheiro, cirurgião, capelão, técnicos, artífices, soldados, peões e índios. Vários integrantes estavam acompanhados de mulheres e filhos, somando, possivelmente, mais de cem pessoas.
Os barracões para a equipe técnica da Comissão, para alojamento dos soldados e as primitivas habitações foram erguidos junto à área que futuramente se tornaria a praça central da povoação. E a partir dela, alguns ranchos foram se estabelecendo ao longo do divisor de águas, cujo traçado gerou a Rua do Acampamento.
O acampamento instalou-se em área da sesmaria do Padre Ambrósio José de Freitas, no Rincão de Santa Maria, denominação dada pelos jesuítas espanhóis a um local então de povoamento disperso remanescente da antiga redução de S. Cosme e S. Damião, abandonada em 1638. Havia também o Arroio Santa Maria, atual Cadena, o Cerro e o Cerrito de Santa Maria, topônimos pré-existentes que deram nome à cidade. Esses e outros elementos foram representados no mapa elaborado por Francisco Chagas Santos, engenheiro da Comissão, datado de 1800.
A Comissão retirou-se em 1801, mas deu início ao assentamento humano que se desenvolveu como Santa Maria, gerado pela instalação do acampamento. A criação do Município, em 1858, é comparável à maioridade humana, mas seu nascimento ocorrera 61 anos antes, em data, lamentavelmente ainda desconhecida quanto ao mês e ao dia, que possibilitaria comemorar, neste ano de 2012, os 215 anos de fundação de Santa Maria.



sábado, 31 de março de 2012

Monumento Niederauer – Reinauguração frustrada

Época da inauguração: setembro de 1922.

O monumento ao Cel. João Niederauer Sobrinho foi erguido em Santa Maria, em homenagem ao maior herói militar da cidade e região, por iniciativa de Catão Coelho (o 2º na foto à dir.) e empenho da comunidade através de inúmeras contribuições. Obra do escultor português Rodolfo Pinto do Couto, o monumento foi criado, modelado e fundido em Florença.
Em 10 de setembro de 1922, no programa comemorativo do Centenário da Independência, o Monumento Niederauer foi inaugurado, no ponto mais central e de maior evidência da cidade.

Nas últimas décadas, o espaço, deixado ao abandono, foi se degradando, com intensa poluição visual no entorno, o que se acentuou com a proximidade de um camelódromo.
Em 2009, ao abandono, já vandalizado.

No decurso da valiosa e indispensável ação do Prefeito Cezar Schirmer, de retirar das ruas o comércio informal e executar as obras de revitalização da Av. Rio Branco, sugeri que o monumento fosse elevado, para dar-lhe a devida importância e destaque na paisagem urbana, bem como mais proteção contra o vandalismo.
Os ornatos de bronze que guarneciam as molduras do pedestal haviam sido furtados. Graças à valiosa colaboração do Gen. Décio Luís Schons, Comandante da “Brigada Niederauer”, novos ornatos foram fundidos no Arsenal do Exército, em General Câmara.

A reinauguração estava prevista para 4 de abril de 2012, data dos 185 anos do nascimento de Niederauer. Essa era a intenção do Prefeito Cezar Schirmer, num ato incorporado ao programa da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, em homenagem ao seu patrono.
Entretanto, o monumento, que fora desmontado para o erguimento de sua base, foi retirado do local, durante a decoração pública de Natal.
Coroa de acanto e louro. 
Ornatos das molduras furtados.
Lamentavelmente, não foi guardado em segurança. As várias partes do pedestal de granito foram largadas, como trastes quaisquer, numa área aberta de um clube de futebol. A bela coroa de folhas de louro e acanto, em bronze, que envolvia a inscrição “Pátria, honra e valor”, na frente do pedestal, foi furtada. A peça simbólica ficou 90 anos em espaço público, sem ser vandalizada. E a perdemos justamente quando deveria estar mais protegida.

Da coroa de louros restou apenas
a marca deixada no granito.
 Para sua reposição, será preciso modelar uma nova coroa, para depois fundi-la em metal, com base em fotografias e nas medidas tomadas nas marcas deixadas no granito pela peça original.
Não poderemos honrar o bravo e heróico Coronel Niederauer, em ato público, junto ao seu monumento, nos 185 anos de seu nascimento.
Talvez possamos fazê-lo daqui a cinco meses, no dia 10 de setembro, quando se poderá comemorar os 90 anos de inauguração do monumento.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Rádio Imembuí de Santa Maria – 70 anos

Nos anos 1930, havia crescente interesse pela radiodifusão em Santa Maria, depois de terem sido instaladas as primeiras emissoras no país, na década anterior. Entre 1931 e 35, houve três iniciativas na cidade, e duas delas chegaram a atuar por pouco tempo: a Rádio Sociedade Cultura e a Rádio Sociedade Santa Maria.
Na sala de esquina, no 2º andar, funcionou o serviço de
alto-falantese foi instalada a Rádio Imembuí.
Mas a ação decisiva para a criação de uma radioemissora que perdurasse e se desenvolvesse foi a aquisição, por Carlos Alberto Brenner, em 1940, de um serviço de alto-falantes instalado na esquina da Rua Dr. Bozano com a Praça Saldanha Marinho.

Carlos Alberto Brenner. Detalhe de foto tirada
em 1943, ref. à compra de equipamentos.
Carlos Brenner nasceu em Santa Maria, em 1º.8.1905, filho do comerciante Germano Brenner e neto do imigrante Franz Karl Brenner. Carlos era advogado e, na época,  exercia a secretaria geral do Município. Escrevia no jornal A Razão crônicas sobre política e desenvolvimento da cidade. Homem de ideias, de muitos sonhos, mas também de ação, resolveu criar uma radioemissora, a partir de sua experiência com o serviço de alto-falantes. Assim legou à cidade e à região central do Estado sua primeira emissora de rádio que teve seguimento: a Rádio Imembuí que, por isso, ostenta com legitimidade o título de “a pioneira”.

     O aliciamento de acionistas foi uma tarefa difícil; naquela Santa Maria de cerca de 40 mil habitantes, havia incredulidade quanto ao sucesso do empreendimento. Carlos foi decisivamente ajudado pelo eng. Luiz Bollick e pelo comerciante Salvador Isaia, todos os três jovens empreendedores na faixa dos 30 anos.
Luiz Bollick - 1936
Salvador Isaia
década de 1940
Subscritas as ações em número adequado, Carlos Brenner, identificando-se como fundador, convocou a assembleia de acionistas para constituir a Rádio Imembuí S.A., que se realizou no dia 13 de fevereiro de 1942, no Clube Caixeiral. Foram aprovados os estatutos e eleitos Antonio Olivé Leite, presidente, e Carlos Brenner, diretor superintendente.
A seguir, transcorreu o demorado período de integralização dos valores subscritos, a compra dos equipamentos e sua instalação, no mesmo espaço físico do serviço de alto-falantes que gerara a ideia da criação da emissora. A Rádio Imembuí entrou no ar em julho de 1944.
Apesar da descrença inicial com que foi acolhida na cidade, a Rádio Imembuí logo rendeu bons dividendos. Ao longo dessas sete décadas, graças à qualidade de suas sucessivas administrações, cresceu e se consolidou como referência em radiodifusão regional.
Santa Maria comemora, neste 13 de fevereiro de 2012, os 70 anos de fundação de sua Rádio Imembuí, que desde sua idealização e criação pelo santa-mariense Carlos Alberto Brenner, e no decorrer de sua existência foi e tem sido, de fato, uma “rádio da gente daqui”, como enuncia seu apropriado slogan.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ondy Hélio Niederauer

Na madrugada deste 1º de fevereiro, faleceu um estimado amigo, o historiador e genealogista Ondy Hélio Niederauer. Filho de Antonio George Niederauer e Ida Treptow Niederauer, ele nasceu em Santa Maria, em 5.7.1923, e viveu sua infância e adolescência na Rua 7 de Setembro.
Tinha 18 anos quando mudou-se para Porto Alegre, onde se formou em contabilidade. Casou com Alella Werkauser com quem teve três filhos. Contador da colonizadora Maripá, Ondy Niederauer assumiu, em 1950,  o seu cargo em Toledo/PR, então um vilarejo de umas 20 casas de madeira. Tornou-se assim um dos pioneiros da cidade, para cujo desenvolvimento muito trabalhou, tendo registrado sua história no livro Toledo no Paraná, 1992, com 2ª edição revisada e ampliada, em 2004.
Pesquisou incansavelmente a história da família, produzindo o importante trabalho genealógico Família Niederauer-da Alemanha ao Brasil, 2008.
Última visita a S. Maria, em junho de 2003. Ondy Niederauer com a
esposa Alella e a neta Letícia, junto às ruínas da Soteia, o solar dos 
Niederauer, ainda com algumas paredes e parte do alpendre em pé.

Eu o conheci há 17 anos, quando lancei A saga dos Niederauer, em 1995, e muito lamento não tê-lo conhecido antes. Sabendo do livro, Ondy veio de Toledo a Santa Maria - um percurso de mais de 700 km -, o que deu brilho ao lançamento e grande júbilo ao autor. Desde então, nossa amizade se solidificou, apesar da distância.
Seu valor foi reconhecido nos meios profissionais e culturais. Em 1985, o Conselho de Contabilidade do Paraná concedeu-lhe o título de “Contabilista Emérito”. Em 2002 tornou-se “Cidadão Honorário de Toledo”, município que o homenageou, dando seu nome ao “Centro Cultural Ondy Hélio Niederauer”, inaugurado em 2004.
Recebi com profunda consternação a notícia do falecimento de tão apreciado e estimado amigo. Ondy nos deixa após 88 anos de uma vida muito profícua, de valiosas realizações, de sólidas amizades e com o reconhecimento de todos.
A foto à esquerda, talvez uma das últimas de Ondy, foi tirada em 12.11.2011, quando ele recebeu das mãos do prefeito de Toledo o livro Toledo em fotos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Natal 2011 em Santa Maria

É inelutável usar a frase: "Nunca antes na história desta cidade o Natal esteve tão lindo!".
A Praça Saldanha Marinho, a Av. Rio Branco, o Viaduto Evandro Behr, o calçadão da 1ª Quadra estão belíssimos com a feérica, farta e bem-planejada decoração de Natal.
A primeira foto  mostra o grande pinheiro montado com material reciclado de milhares de garrafas pet. Na foto da praça, o fotógrafo aproveitou o efeito do reflexo na água da chuva que acabara de cair.
Pinheiro com cerca de 13 m feito com 50 mil garrafas pet.
Atrás, a Catedral Anglicana e o edif. da SUCV, atual sede do governo municipal.
foto: Germano Rorato

Praça Saldanha Marinho. Ao fundo, o chafariz instalado em 1934.
foto: Germano Rorato
Aplausos ao Prefeito Cezar Schirmer e à sua equipe!
Santa Maria merece.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Centro Poliesportivo do Avenida Tênis Clube

No último sábado, membros do Conselho Deliberativo do A.T.C. visitaram as obras do Centro Poliesportivo, iniciadas há quase um ano.
Estão edificadas as estruturas e coberturas dos módulos que conterão as piscinas térmicas, saunas masculina e feminina e espaço de convivência. As obras do terceiro módulo, destinado ao ginásio de esportes, ainda não foram iniciadas.
O volume da esquerda abrigará o centro de convivência (bar, lancheria),
as saunas (masculina e feminina), vestiários e duchas.

Em menos de um ano, o clube oferecerá na piscina semiolímpica várias atividades: natação, hidroginástica, recreação. As medidas de 25,00m por 17,50m comportam sete raias para exercícios, treinamento e competições. O Avenida Tênis Clube poderá voltar a ter uma equipe de natação competitiva como teve no passado, quando muitos títulos foram conquistados.
O Centro Poliesportivo é uma relevante realização da atual gestão, que engrandecerá o clube, com novos e valiosos serviços aos associados.
Conselheiros em visita à edificação das piscinas térmicas.
No 1º plano, a piscina infantil e mais adiante a semiolímpica com
as formas e armaduras das paredes prontas para a concretagem.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pórtico de Santa Maria

Vista desde o estacionamento. As placas triangulares, à direita,
dão boas-vindas aos que chegam e desejam boa viagem aos que
deixam a cidade.  -  foto J. A. Brenner

Em maio de 2011, foi concluído o chamado pórtico de acesso à Santa Maria, pela RSC-287. Na verdade, não é um pórtico, mas um monumento que assinala o acesso à Cidade Cultura, como o Prefeito Cezar Augusto Schirmer definiu:  
“Trata-se de um símbolo à modernidade que, por extensão, também presta homenagem a todos que, de uma forma ou de outra contribuem para o desenvolvimento de Santa Maria, gerando emprego, receita, riquezas e conhecimento”.
Foto colhida na internet.
O monumento, de autoria do arquiteto Pepe Reyes, faz parte de um complexo que inclui um avião Xavante, doado pela FAB, um centro cultural e um posto de informações turísticas, com estacionamento para carros e ônibus. Está situado um pouco antes da entrada da Base Aérea, para quem chega à cidade.
A arquitetura do monumento, construído em aço e alumínio, tem a forma de um arco parabólico inclinado, de cujo centro parte um semiarco que se projeta sobre a rodovia, dando equilíbrio ao conjunto.
A obra de R$1.600.000,00 foi realizada, em 75%, com recursos do Ministério do Turismo, e o restante com contrapartida da Prefeitura.
Avião Xavante doado pela FAB faz parte
do complexo - foto J.A.Brenner
O projeto do complexo teve início em 2008, por iniciativa da Secretaria de Município de Turismo e parceria com a Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Santa Maria-CACISM. O presidente dessa entidade, Paulo Ceccim, entende que o complexo revela aos visitantes que Santa Maria é uma cidade moderna, de qualidade e habitada por um povo especial: “Simboliza, através da sua importância e modernidade, a Santa Maria que queremos, buscamos e iremos ter”.
A iluminação, que terá vários efeitos de luzes e cores, será instalada em breve.
Um vídeo do complexo, filmado por quem deixa a cidade, pode ser visto em: 
http://www.youtube.com/watch?v=CXsuSQ4E8XY