domingo, 5 de agosto de 2012

104 anos da 3ª Divisão de Exército

Gen. Julio Fernandes Barbosa
Comandante de 3ª Brigada Estratégica,
nomeado em 1911.
    Santa Maria tornou-se sede de uma Brigada Estratégica, em decorrência da reorganização do Exército promovida no governo do presidente Affonso Penna, em 1908, pelo Ministro da Guerra, Marechal Hermes da Fonseca. Entre outras medidas, a nova organização determinava a criação de Brigadas Estratégicas, construção de novos quartéis e rearmamento.
    Em 6 de agosto de 1908, o decreto nº 7.054, emanado do Presidente da Republica, criou cinco brigadas estratégicas e três brigadas de cavalaria sob o comando de generais de brigada, subordinados diretamente ao Ministro da Guerra.
    Essa data marca o surgimento da 3ª Brigada Estratégica, com sede em Santa Maria, origem da 3ª Divisão de Exército, que agora completa 104 anos.
O quartel-general da 3ª Brigada Estratégica, na Rua Floriano Peixoto, esq. Cel. Niederauer, inaugurado em 1º.5.1909.
    No ano seguinte, em 5 de março de 1909, foi instalado em Santa Maria, o quartel-general da 3ª Brigada Estratégica, provisoriamete, em um prédio da Rua Venâncio Aires, em frente ao atual edifício dos Correios, onde ficou por menos de dois meses.
    No dia 1º de maio de 1909, sábado, foi festivamente inaugurado o quartel-general da 3ª Brigada Estratégica, em um prédio na esquina sudoeste das ruas Floriano Peixoto e Coronel Niederauer. O jornal A Tribuna o descreveu como “magnífico sobrado”. Comprado nos anos 1950, pelos Irmãos Maristas, foi demolido para a construção do edifício que hoje abriga uma agência do Banco do Brasil.
À direita, o prédio comprado de Theodor Ehlers, em 1907, estava em reforma em 1913-14, para sediar o quartel-general, já mostrando elementos castrenses, na platibanda. Det. de foto de V. Schleiniger - Rev. Centenario S. Maria 1914.
    Em 1914, o quartel-general ainda ocupava o sobrado da Rua Floriano Peixoto, como mostra a fotografia de Venâncio Schleiniger, publicada na Revista Commemorativa do Centenario de Santa Maria, naquele ano.
    Em 05 de agosto de 1907, a Fazenda Nacional, adquirira de Theodoro Ehlers e sua esposa Idalina Kruel Ehlers, por onze contos e duzentos mil réis, uma casa térrea sob  números 185 e 187, na esquina da Rua do Comércio com a Rua da Caturrita, atualmente Rua Dr. Bozano com Av. Borges de Medeiros. A compra incluía um terreno ao leste e dois terrenos ao sul, com frente para a Rua Coronel Niederauer. 
Quarte-General da 3ª DE, com seu aspecto, desde o início dos anos 1920.
[foto J.A.Brenner ago/2012]
    Em 1915, o corpo militar passou a denominar-se 9ª Brigada de Infantaria, em decorrência de nova reorganização do Exército. Nessa época, seu quartel-general foi instalado no antigo casarão da família Ehlers, recentemente reformado para esse uso. No início dos anos 1920, quando se denominava 5ª Brigada de Infantaria, o prédio foi ampliado, recebendo mais um pavimento, com a linguagem arquitetônica atual.

    Outras denominações se sucederam: Infantaria Divisionária da 3ª Divisão de Infantaria (1938), 3ª Divisão de Infantaria (1945) e a atual 3ª Divisão de Exército (1971).
Em 1979, a 3ª DE recebeu a denominação histórica de “Divisão Encouraçada”, por ser considerada a herdeira dos feitos da 3ª Divisão de Infantaria do Exército Imperial, a “Encouraçada”, que combateu gloriosamente na Guerra da Tríplice Aliança.
A 3ª DE conta com um efetivo superior a 15 mil militares, com material blindado
e mecanizado em 44 corpos, concentrando assim o maior poder de combate da Força Terrestre Brasileira.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Primeiros campeonatos do Avenida Tênis Clube


   A recente descoberta de medalha do Avenida Tênis Clube, datada de 1921, motivou a abordagem dos primeiros campeonatos internos do clube. Marco Aurélio Biermann Pinto encontrou, em uma loja virtual de filatelia e numismática, a imagem de uma medalha de prata com as seguintes inscrições:
(frente) – A.T.C. - Santa Maria
(verso) – Avenida Tennis Club - II lugar - 1921

   Após a mudança da Av. Rio Branco para a Praça da República, sob a presidência de Odette Appel Lenz, o clube organizou seu primeiro campeonato interno, em sua única quadra, inaugurada  naquele logradouro, em 25.4.20.
   O segundo campeonato interno iniciou em 15.5.1921, domingo, quando o clube já tinha duas quadras de tênis, e o presidente era João Appel Lenz, irmão de Odette, eleito em no mês anterior.

O jovem médico Lamartine Souza foi o 1º
campeão do ATC, aos 23 anos.
   Participaram 20 tenistas, sendo 11 homens e 9 mulheres. Lamartine Souza, que fora o primeiro campeão, no ano anterior, não participou. Ele jogava desde quando era estudante de Medicina, em 1918, na quadra da Av. Rio Branco.
   O campeonato de 1921 terminou em setembro e foi vencido pelo presidente João Appel Lenz, classificando-se em 2º lugar Adolpho Lima. O campeão, conhecido desde a infância por “Guta”, era um jovem dentista de 25 anos de idade.
   A campeã de 1920, que conquistou novamente o campeonato, em 1921, foi Aracy de Figueiredo Paz. Três décadas depois, sua sobrinha, a ateciana Carmen Brenner Paz, foi bicampeã brasileira de tênis.
João Appel Lenz, o "Guta",
foi o campeão de 1921.

Em 1921, o 2º lugar ficou com Aracy Pinto de Azevedo, fundadora e presidente de honra do Avenida Tênis Clube.
   O campeão e a campeã receberam medalhas de ouro, e os classificados em segundo lugar receberam medalhas de prata.  Desde o mês anterior, as medalhas estiveram expostas na vitrine da joalharia que as produzira, a Casa Péreyron, importante empresa estabelecida na Primeira Quadra da Rua do Comércio, hoje Calçadão da Dr. Bozano. 
   Aracy Paz fora eleita vice-presidente, em 1920, mas renunciara o cargo. Em março de 1921, foi candidata a presidente, na chapa da situação, para suceder Odette Lenz. Essa tentativa de manter o comando feminino, no Avenida Tênis Clube, foi frustrada, pois a candidatura foi retirada e João Appel Lenz foi eleito, tornando-se o primeiro homem na presidência do clube.
Aracy Azevedo
2º lugar em 1921
Aracy Paz foi campeã do ATC
em 1920 e 1921.
   As medalhas foram entregues no dia 2 de outubro, domingo, durante os jogos festivos do 4º aniversário do clube, adiados desde o mês anterior, uma comemoração baseada na data em que sua primeira quadra de tênis fora inaugurada.
   A medalha agora encontrada possivelmente pertencera a Adolpho Lima, que era diretor esportivo do A.T.C. e transferiu-se para Uruguaiana, alguns dias após a comemoração.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Avenida Tênis Clube de Santa Maria – 95 anos


    
O Neste dia 18 de julho de 2012, o Avenida Tênis Clube, importante associação de variadas atividades esportivas e sociais de Santa Maria, completa 95 anos de fundação
    O clube foi fundado por um pequeno grupo de moças santa-marienses, boa parte delas de recente conclusão de seu ciclo colegial, em regime de internato em escolas da capital.
No sobrado do Dr. Astrogildo de Azevedo
foi fundado o ATC. Hoje o prédio abriga o
Museu da UFSM.
A ideia surgiu em uma de suas reuniões, em janeiro de 1917, no palacete do Intendente Municipal Dr. Astrogildo de Azevedo, pai da fundadora Aracy Pinto de Azevedo. O tênis era um esporte que as mulheres praticavam, e a quadra um ambiente de agradável convívio social, entre moças e rapazes. Elas haviam visto isso várias vezes em quadras particulares, no bairro Moinho de Ventos, em P. Alegre, durante passeios do colégio. Além disso, houvera duas iniciativas anteriores de clube de tênis, em Santa Maria, de efêmera duração. A rede, raquetes e bolas que restaram de um deles foram compradas pelas jovens, enquanto elas conseguiam a cessão do terreno para a construção da quadra, na Avenida Rio Branco que, naquele trecho, ainda não tinha sua pista leste concluída. Essa localização inspirou a denominação do clube.
Stellita Campos. Óleo sobre
 tela de Eduardo Trevisan, 1975.
A primeira assembleia, com um pequeno número de fundadoras, ocorreu no citado palacete, em 18 de julho de 1917, e elegeu a primeira diretoria: presidente, Stellita Mariense de Campos, autora da ideia; vice-presidente, Aracy Pinto de Azevedo; 1ª secretária, Docelina de Arruda Gomes; 2ª secretária, Dorvalina Gomes da Costa; tesoureira, Odette Appel Lenz. Estavam presentes Georgina Brenner, Violeta de Arruda Gomes e Maria Becker Pinto. Todas essas e mais Zilda Morsbach Haeffner são as nove jovens que podemos citar como fundadoras do Avenida Tênis Clube, cujas idades variavam de 15 a 18 anos.
Aracy Azevedo liderou,
com Stellita, a criação do
 clube e foi a 2ª presidente.
A quadra, nos terrenos dos engenheiros Gustavo Vauthier e Eduardo Sabóia, era de construção muito simples e rudimentar, sem drenagem nem camada de carvão. Somente a preparação do solo e demarcação com ripas de madeira embutidas no terreno. Os serviços técnicos foram prestados pelo engenheiro da Intendência Municipal, Augusto Wild, o que lhe valeu o título de primeiro sócio benemérito do Avenida Tênis Clube. O acesso à quadra era feito pelo portão do edifício vizinho, o belo palacete no estilo Art Nouveau do arquiteto alemão Theodor Carsten.
As dirigentes do clube convidaram o eng. Teophilo Barreto Vianna, experiente tenista, para ensinar o jogo de tênis a elas e aos rapazes que já haviam se associado.
No domingo de 16 de setembro de 1917, foi inaugurada a quadra do Avenida Tênis Clube, festivamente embandeirada e ao som da banda de música Lyra Popular. Às 14 horas, a madrinha do clube, Aura Pinto de Azevedo, mãe de Aracy, na companhia do padrinho, o comerciante Joaquim Junqueira Rocha, lançou a bola para o primeiro jogo inaugural, entre a presidente Stellita Mariense de Campos e Alberico Valente Ribeiro.
    Ao entardecer, a diretoria e demais tenistas, formando pares e precedidos pela Lyra Popular, subiram em desfile a Av. Rio Branco e se dirigiram ao Clube Caixeiral, então localizado na esquina da Rua Floriano Peixoto com a atual Rua Astrogildo de Azevedo. Ali foi servido um jantar, seguido de reunião dançante que se prolongou até as 21 horas. 

Edifício Art Nouveau de Theodor Carsten. O muro, visto parcialmente à direita,
        fechava o terreno onde foi construída a 1ª quadra do ATC, na Av. Rio Branco.

Violeta Gomes e sua irmã mais jovem,
Docelina, homenageada com seu nome
no torneio "Copa Docelina de Tênis".
A fundadora Odette Appel Lenz
foi a 3ª presidente, em 1920.
Uma tenista do
ATC, em 1922.
Com saias meia-canela e chapéus com abas, as moças jogaram contra os rapazes, em sets curtos, num moderado exercício, no final do inverno. Por isso, após os jogos, todos puderam ir a uma festa de salão.
    A fundação do Avenida Tênis Clube e a inauguração de sua primeira quadra esportiva foram fatos marcantes na pequena Santa Maria de 1917, então com 15 mil habitantes. A quadra tornou-se ambiente de intensa atividade esportiva e social, na Av. Rio Branco, onde ficou até 1920.

Depois de trocar quatro vezes de endereço, o Avenida Tênis Clube, com progressivo desenvolvimento, nesses 95 anos, é hoje uma das mais importantes sociedades do Estado.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ildefonso Brenner – 150 anos


    Meu avô materno nasceu em 13 de junho de 1862, há exatamente 150 anos, primogênito do imigrante alemão Franz Karl Brenner (Carlos, no Brasil) e da santa-mariense Christiana Hofmeister, filha do alemão Mathias Hofmeister.
Tendo nascido no Dia de Santo Antonio, seus pais quiseram chamá-lo de Ildefonso Antonio, como se lê na anotação que o pai Carlos escreveu na folha de rosto de sua Bíblia luterana:
Ildefons Antonio Brenner geboren den 13 Junio 1862: anotação na Bíblia que Franz
Karl Brenner recebera no ato de sua Confirmação, em Ellweiler/Alemanha.

A data é confirmada no assento de batismo feito pelo Padre Antonio Gomes Coelho do Valle, que não registrou o duplo prenome, em 24 de setembro do mesmo ano. Filho de pai luterano e de mãe católica, Ildefonso foi batizado católico, até mesmo porque a Comunidade Evangélica Alemã ainda não fora fundada. Por essa mesma razão, sua mãe, filha de imigrantes luteranos, se vinculara ao catolicismo.
A boa situação financeira de Carlos Brenner, obtida por seu trabalho, permitiu-lhe investir na educação dos filhos. Assim como as famílias luso-brasileiras abastadas, nas províncias, mandavam os filhos estudar no Rio de Janeiro, na “Corte”, Carlos Brenner enviou seu primogênito, o jovem Ildefonso, para completar sua educação na Alemanha. Lá ele permaneceu, durante cerca de quatro anos estudando na famosa Europäischen Moden-Akademie, Academia Européia de Moda, em Dresden. Os alunos aprendiam contabilidade, aritmética, letras, estilística, idiomas etc. e principalmente método de corte e feitio. Passavam por um treinamento técnico e científico para poder assumir mais tarde a liderança de um negócio maior. 


O nome da firma na fachada do sobrado da família, na esquina das atuais
ruas Doutor Bozano e Serafim Vallandro, em foto de 1908.
A estada na antiga pátria de seu pai possibilitou a Ildefonso aprimorar sua cultura e o conhecimento do idioma alemão: ele falava fluentemente o Hochdeutsch e citava Goethe de memória. Era considerado o homem culto da família. Deve ter sido, também, um período muito prazeroso, cujas lembranças o acompanharam por toda a vida. Lembro-me de tê-lo visto, várias vezes, na avançada idade de seus oitenta e poucos anos – eu então um menino de oito a dez anos –, certamente rememorando sua juventude em Dresden, ao benfazejo sol de inverno, que adentrava profundamente a sala, onde hoje é a loja nº 1061 da Rua Doutor Bozano, em sua cadeira de balanço, enquanto entoava baixinho Ein Prosit der Gemütlichkeit, e outras canções alemãs.
Ildefonso Brenner aos 48 anos
Porém Ildefonso nunca exerceu a profissão de seu pai. De volta da Alemanha, possivelmente no final de 1886, ele assumiu a casa comercial e tornou-se forte comerciante, inicialmente como Brenner & Irmão e depois Ildefonso Brenner & Cia., em 1902.
Em 5.2.1888, com 25 anos, foi eleito presidente do Clube Caixeiral Santamariense de cuja fundação não participara, dois anos antes, porque ainda não retornara ao Brasil.
Em 29.9.1887, Ildefonso foi um dos 31 fundadores do Clube Atiradores Santamariense.
Monograma de Ildefonso em medalhão-
estojo produzido por seu sogro,
o ourives Jacob Ludwig Laydner.
Na atividade política, Ildefonso Brenner, com 29 anos, foi eleito, em 6.11.1891, para o primeiro Conselho Municipal do período republicano, que teve duração efêmera, em decorrência do golpe praticado por Deodoro da Fonseca, quando dissolveu o Congresso Nacional. Por não reconhecerem o "governicho", a junta nomeada para governar o Estado, o intendente e todos os membros do Conselho Municipal renunciaram.
Em 1901, participou da primeira diretoria da Associação Protetora do Hospital de Caridade.
Na atividade classista, foi presidente, em 1914, da Praça do Comércio de Santa Maria e, em 1924, quando a entidade denominava-se Associação Comercial de Santa Maria.
Ildefonso tinha quase 40 anos, quando casou, em 7.5.1902, com Lydia Laydner, 12 anos mais jovem, filha do ourives alemão Jacob Ludwig Laydner.
Depois de longa e proveitosa existência, Ildefonso Brenner faleceu, em 10.4.1951, faltando dois meses para completar 89 anos.

sábado, 2 de junho de 2012


Vila Militar Coronel Niederauer
João Niederauer Sobrinho nasceu na Colônia Alemã de Três Forquilhas, hoje Itati, em 4.4.1827, filho de imigrantes alemães. Realizou sua formação escolar no colégio do Prof. Jacob Frey, em São Leopoldo.
Quando adolescente, em 1844, radicou-se em Santa Maria, onde sua família já se estabelecera. Aos 23 anos, ingressou na Guarda Nacional, no posto de alferes, e atuou em várias missões militares: Guerra contra Rosas e Oribe (1851), Divisão Imperial Auxiliadora, no Uruguai (1854), Exército de Observação (1857-58), Campanha do Uruguai (1864) e Guerra do Paraguai (1865). Era Coronel Comandante da 3ª Brigada da 2ª Divisão de Cavalaria e Comandante Superior da Guarda Nacional em Santa Maria. 
Em Santa Maria, atuou com liderança, na vida social e política, tendo exercido interinamente a presidência da Câmara Municipal, por largos períodos, entre 1861 e 1864. Nesse último ano, foi o vereador mais votado, o que lhe garantiria a presidência da Câmara e o poder executivo do município, mandato que não assumiu por ter partido para a guerra da qual não voltou.
O Cel. João Niederauer Sobrinho foi mortalmente ferido, após a Batalha do Avaí, quando percorria o campo da luta, em socorro aos feridos. Faleceu no hospital de campanha em Villeta, Paraguai, em 13 de dezembro de 1868.

A Vila Militar Coronel Niederauer é cercada pelas avenidas Liberdade,
Presidente Vargas e Borges de Medeiros, e pela Rua Ignacio Costa.

Placa denominativa afixada
em marco obeliscal, no
centro da Vila Militar.
No centenário de sua morte, em 1968, o Exército prestou-lhe significativa homenagem. Por iniciativa do General Edson Figueiredo, Comandante da 3ª Divisão de Infantaria, a vila militar de Santa Maria, com área de cerca de 8,5 hectares, existente desde o final da década de 1950, foi denominada Vila Militar Coronel Niederauer.
Essa denominação permaneceu durante quatro décadas de uso interno do Exército, gravada em placa, no canteiro central da Av. Brasil, no interior da vila, mas ignorada pelo público, pois nem mesmo constava na inscrição do pórtico de entrada.
Movida por sua sensibilidade e interesse pelos fatos e personagens de nossa história, a Vereadora Sandra Rebelato ingressou com o Projeto de Lei 7679/2011 para alterar o art. 16 da Lei Complementar 42/2006, acrescentando a denominação “Coronel Niederauer” à Vila Militar. Após a aprovação pela Câmara de Vereadores, a lei foi sancionada pelo Prefeito Cezar Augusto Schirmer, em 5 de janeiro de 2012.
     Para tornar pública a denominação, agora oficializada pela governo municipal, o pórtico de entrada daquele sub-bairro ostenta a inscrição: VILA MILITAR CORONEL NIEDERAUER”.
Pórtico de entrada, na Av. Borges de Medeiros.
Fica assim mais uma vez honrada a memória do maior herói militar da história santa-mariense, quando transcorrem os 185 anos de seu nascimento.

sábado, 26 de maio de 2012

Santa Maria 215 anos


Neste ano de 2012, em que se comemora 154 anos da emancipação política de Santa Maria, que até 1858 era o 4º Distrito de Cachoeira, devemos lembrar que houve muita história anterior, desde o nascimento da povoação, há 215 anos.
Santa Maria nasceu em consequência de ações estratégicas. Foi por causa de uma retirada estratégica da Partida Portuguesa da 2ª Subdivisão da Comissão Demarcadora de Limites entre terras de Portugal e Espanha, em 1797, que se estabeleceu o início do assentamento da povoação.
Em razão do Tratado de Santo Ildefonso 20 anos antes (1777), as comissões de ambos os reinos tratavam de estabelecer as divisas – um trabalho de repetidos conflitos. Em 1797, Portugal e Espanha estavam em estado de guerra não declarada, e foi ordenado ao comandante da Comissão que deixasse a região das Missões e buscasse proteção junto a uma guarda portuguesa.
Em 18 de julho de 1797, o capitão Joaquim Félix da Fonseca, astrônomo e comandante da Partida, comunicou ao comissário espanhol sua retirada do Povo de São João Baptista, hoje no Município de Entre-Ijuís.  Se ele cumpriu as recomendações de seus superiores, a comunicação foi feita após ter descido a Serra de São Martinho e se encontrar sob proteção da Guarda Portuguesa, estabelecida junto ao Arroio dos Ferreiros. Não se sabe, porém, em que dia e mês foi assentado o acampamento que gerou Santa Maria.
Detalhe do mapa de 1800 mostrando a Guarda Portuguesa, a oeste, e o "Acampamento da Expedição" que gerou Santa Maria. Acrescentei cores às edificações e aos cursos d'água para torná-los mais visíveis. 

No topo da coxilha que hoje é o centro de Santa Maria, foram montadas as instalações para abrigar o numeroso grupo de pessoas. Eram oficiais e seus escravos, engenheiro, cirurgião, capelão, técnicos, artífices, soldados, peões e índios. Vários integrantes estavam acompanhados de mulheres e filhos, somando, possivelmente, mais de cem pessoas.
Os barracões para a equipe técnica da Comissão, para alojamento dos soldados e as primitivas habitações foram erguidos junto à área que futuramente se tornaria a praça central da povoação. E a partir dela, alguns ranchos foram se estabelecendo ao longo do divisor de águas, cujo traçado gerou a Rua do Acampamento.
O acampamento instalou-se em área da sesmaria do Padre Ambrósio José de Freitas, no Rincão de Santa Maria, denominação dada pelos jesuítas espanhóis a um local então de povoamento disperso remanescente da antiga redução de S. Cosme e S. Damião, abandonada em 1638. Havia também o Arroio Santa Maria, atual Cadena, o Cerro e o Cerrito de Santa Maria, topônimos pré-existentes que deram nome à cidade. Esses e outros elementos foram representados no mapa elaborado por Francisco Chagas Santos, engenheiro da Comissão, datado de 1800.
A Comissão retirou-se em 1801, mas deu início ao assentamento humano que se desenvolveu como Santa Maria, gerado pela instalação do acampamento. A criação do Município, em 1858, é comparável à maioridade humana, mas seu nascimento ocorrera 61 anos antes, em data, lamentavelmente ainda desconhecida quanto ao mês e ao dia, que possibilitaria comemorar, neste ano de 2012, os 215 anos de fundação de Santa Maria.



sábado, 31 de março de 2012

Monumento Niederauer – Reinauguração frustrada

Época da inauguração: setembro de 1922.

O monumento ao Cel. João Niederauer Sobrinho foi erguido em Santa Maria, em homenagem ao maior herói militar da cidade e região, por iniciativa de Catão Coelho (o 2º na foto à dir.) e empenho da comunidade através de inúmeras contribuições. Obra do escultor português Rodolfo Pinto do Couto, o monumento foi criado, modelado e fundido em Florença.
Em 10 de setembro de 1922, no programa comemorativo do Centenário da Independência, o Monumento Niederauer foi inaugurado, no ponto mais central e de maior evidência da cidade.

Nas últimas décadas, o espaço, deixado ao abandono, foi se degradando, com intensa poluição visual no entorno, o que se acentuou com a proximidade de um camelódromo.
Em 2009, ao abandono, já vandalizado.

No decurso da valiosa e indispensável ação do Prefeito Cezar Schirmer, de retirar das ruas o comércio informal e executar as obras de revitalização da Av. Rio Branco, sugeri que o monumento fosse elevado, para dar-lhe a devida importância e destaque na paisagem urbana, bem como mais proteção contra o vandalismo.
Os ornatos de bronze que guarneciam as molduras do pedestal haviam sido furtados. Graças à valiosa colaboração do Gen. Décio Luís Schons, Comandante da “Brigada Niederauer”, novos ornatos foram fundidos no Arsenal do Exército, em General Câmara.

A reinauguração estava prevista para 4 de abril de 2012, data dos 185 anos do nascimento de Niederauer. Essa era a intenção do Prefeito Cezar Schirmer, num ato incorporado ao programa da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, em homenagem ao seu patrono.
Entretanto, o monumento, que fora desmontado para o erguimento de sua base, foi retirado do local, durante a decoração pública de Natal.
Coroa de acanto e louro. 
Ornatos das molduras furtados.
Lamentavelmente, não foi guardado em segurança. As várias partes do pedestal de granito foram largadas, como trastes quaisquer, numa área aberta de um clube de futebol. A bela coroa de folhas de louro e acanto, em bronze, que envolvia a inscrição “Pátria, honra e valor”, na frente do pedestal, foi furtada. A peça simbólica ficou 90 anos em espaço público, sem ser vandalizada. E a perdemos justamente quando deveria estar mais protegida.

Da coroa de louros restou apenas
a marca deixada no granito.
 Para sua reposição, será preciso modelar uma nova coroa, para depois fundi-la em metal, com base em fotografias e nas medidas tomadas nas marcas deixadas no granito pela peça original.
Não poderemos honrar o bravo e heróico Coronel Niederauer, em ato público, junto ao seu monumento, nos 185 anos de seu nascimento.
Talvez possamos fazê-lo daqui a cinco meses, no dia 10 de setembro, quando se poderá comemorar os 90 anos de inauguração do monumento.