quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Jacob Ludwig Laydner

No dia dos 180 anos do nascimento de meu bisavô materno, Jacob Ludwig Laydner, volto a escrever sobre ele (ver postagem de 11.11.2008), representado ao lado em desenho de Antonio Isaia, em 2000. Mais conhecido em Santa Maria como Luiz Laydner, ele foi um dos 31 fundadores do Clube Atiradores Santamariense, em 28.9.1887. Durante 40 anos, clube teve sua sede na chácara de Karl Müller, na Rua Barão do Triunfo, no início em área cedida, depois adquirida.
O tiro esportivo teve início no Brasil com os imigrantes alemães, que criaram sociedades de atiradores em muitas cidades.
Em 1892, Jacob Ludwig Laydner era presidente do Clube Atiradores Santamariense, quando houve a tradicional festa anual “Tiro do Rei” (das Königschieβen), o evento mais importante dos clubes de atiradores alemães. Na tarde de domingo, em 24 de abril de 1892, os sócios uniformizados, com suas armas e insígnias, reuniram-se no salão Paust e então, precedidos da banda de música “Lyra Santa Mariense”, dirigiram-se à casa do presidente, Jacob Luiz Laydner, onde, depois das continências de estilo, receberam o estandarte da sociedade.
Dirigiram-se depois ao estande de tiro, onde se realizou a competição, cujo vencedor, Pedro Brenner (meu bisavô paterno), foi proclamado “Rei”. Ao anoitecer, precedido da banda de música, houve desfile pela cidade, estourando foguetes e com representações da Sociedade Nova Aurora e do Clube Caixeiral, que se apresentaram com seus estandartes.
O cortejo dispersou-se à frente da casa do presidente Laydner, e à noite realizou-se o “Baile do Rei”, no salão Paust, oferecido pelo “Rei” Pedro Brenner.

Em 4 de outubro de 1898, o Clube Atiradores Santamariense concedeu ao seu fundador e antigo presidente, Jacob Luiz Laydner, a medalha com a inscrição Dem Verdienste zu Ehren (foto), feita de prata, que corresponde a “Honra ao Mérito”. No mês seguinte, ele completaria 69 anos de idade.

domingo, 25 de outubro de 2009

Francisco Pedro Brenner

O dia 25 de outubro lembra o nascimento de Francisco Pedro Brenner, no ano de 1868. Ele era filho de Peter Brenner e Maria Dorothea Schirmer Brenner, em cuja propriedade nasceu. Havia 11 anos que Peter deixara Campo Bom, com a esposa e duas filhas, e se estabelecera em Santa Maria com curtume e residência, em extensa área junto ao Vacacaí-Mirim, hoje Bairro Quilômetro Três.
Francisco Pedro Brenner aprendeu o ofício de alfaiate, que exerceu por longos anos, e depois se tornou comerciante. Sua alfaiataria estave instalada na Rua do Comércio nº 59, em local hoje ocupado pelo edifício nº 1051 da Rua Doutor Bozano. Sob sua direção trabalhavam outros alfaiates seus empregados para atender a uma grande clientela. Usava nos trajes etiquetas personalizadas com o nome do cliente, número de série do produto e a data da confecção.
“Tio Chico”, como era chamado por seus numerosos sobrinhos e sobrinhos-netos, exerceu destacada atividade social. Foi presidente do Deutscher Hilfsverein, a Sociedade Beneficente Alemã, origem da importante Sociedade Concórdia Caça e Pesca. Teve intensa e prolongada atuação no Clube Atiradores Santamariense, exercendo diversos cargos, especialmente a presidência, tornando-se sócio benemérito. Foi também dirigente da Sociedade Lyra Popular, que mantinha uma apreciada e atuante banda musical, nas primeiras décadas do século passado.
Em 4.5.1892, casou com Maria Luiza Kümmel, chamada “Dona Vivisa”, com destaque na vida social da cidade, eleita presidente da sociedade feminina Nova Aurora, em 1919. Tiveram cinco filhos: Flodoardo, Maria Luíza Sirena, Maria da Glória, Elma e Clodoaldo.
Após o falecimento de “D. Vivisa”, em 18.09.1933, "Tio Chico" casou com Haydée Weber, 30 anos mais jovem, com quem não teve filhos.
Francisco Pedro Brenner faleceu com avançada idade, em 30.8.1962, faltando menos de dois meses para completar 94 anos.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mathias José da Costa


Imigrante açoriano, nascido na Ilha de São Miguel, possivelmente em 1753, Mathias era filho de José Vieira e Quitéria da Costa, naturais da mesma ilha.
São Miguel é a maior ilha do arquipélago dos Açores, com cerca de 65 km de comprimento por 15 a 8 km de largura. Ao sul, cerca de 80 km, fica a pequena Ilha de Santa Maria, que, por coincidência, seria o nome da terra adotiva de Mathias, no Brasil.
Em 1797, ele já vivia no Acampamento de Santa Maria, onde casou com Maria Cabral, sua primeira esposa, nascida em Bom Jesus do Triunfo. A primeira filha, Florisbela, foi batizada, em 17 de fevereiro de 1798, pelo padre Euzébio de Magalhães Rangel e Silva, capelão da 2ª Subdivisão Demarcadora de Limites. Foi o primeiro batismo celebrado na Capela do Acampamento de Santa Maria, que se instalara no local alguns meses antes, dando início à povoação. O acampamento e sua rústica capela, onde fora montado o altar portátil que acompanhava a expedição, atraíram moradores dos arredores e de lugares distantes.
Mathias José da Costa foi um dos primeiros povoadores de Santa Maria, tendo chegado ao Acampamento da 2ª Subdivisão, nos primeiros meses após sua instalação, em 1797. O casal teve pelo menos mais duas filhas, Josefa Maria e Francisca.
Por volta de 1805, Mathias casou, em segundas núpcias, com Anna Josefa Pompeo de Toledo, natural de Cachoeira, filha de Felisberto Pompeo de Toledo.
Em 1821 ou 22, quando o velho açoriano já tinha 68 anos, nasceu possivelmente seu penúltimo filho, Mathias José da Costa Pompeu, avô de minha sogra, Aura da Rosa Leonardo. Então, minha esposa, Antonieta Leonardo Brenner, é trineta do açoriano Mathias José da Costa, um dos moradores mais antigos da povoação, considerado um dos fundadores de Santa Maria.
O açoriano Mathias José da Costa faleceu com 80 anos de idade, em 10.8.1833, e foi sepultado no cemitério da Estância do Durasnal de São João, a cerca de 14 km a oeste do centro da povoação, em terras de seu sogro, o sesmeiro Felisberto Pompeo de Toledo. Ainda hoje, a localidade ali existente chama-se Durasnal.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O casamento de Peter Brenner


Friedrich Karl Brenner, o genearca de minha família, imigrou com quatro filhos e teve mais dois, após se estabelecer em Campo Bom: Johann, nascido em 1830, e Peter, em 15.11.1831.
Peter Brenner (foto) era um menino de 12 anos quando perdeu o pai e logo aprendeu a trabalhar como curtidor. Era um jovem de 20 anos quando se sentiu em condições de casar. A noiva, Maria Dorothea Schirmer, era uma adolescente de 17 anos, nascida em Campo Bom, em 3.7.1835, filha do imigrante Philipp Jakob Schirmer.
O casamento foi celebrado pelo Pastor Dr. Otto Heinrich Theodor Recke, em 31 de julho de 1852, há 157 anos. Na colônia Campo Bom viviam então cerca de 500 pessoas e ainda havia, desde 1928, a pequena igreja de madeira – o primeiro templo evangélico da Província –, além da nova igreja de alvenaria, consagrada no ano anterior. Mas, conforme registrou o Pastor, o casamento foi realizado na casa de Peter Brenner, que poderia ser a que herdara de seu pai, já que suas irmãs haviam casado e sua mãe morava com o genro Johann Bastian, na vila de São Leopoldo.
Serviram de testemunhas o colono e sapateiro Christian Spindler, que se tornou subdelegado de polícia, anos depois; o colono Karl Ludwig Habigzang, cunhado de Peter; e Heinrich Jakob Schirmer, irmão mais velho da noiva.
Peter e Maria Dorothea viveram mais cinco anos em Campo Bom, onde nasceram suas duas primeiras filhas Auguste Wilhelmine e Maria Catharina.
Em 1857, eles acompanharam o numeroso grupo familiar, liderado pelo sogro Philipp Jakob Schirmer, em mudança para Santa Maria, onde nasceram mais 11 filhos do casal.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Peter Weckert




O dia 19 de julho de 2009 assinala os 250 anos do nascimento de Peter Weckert, ancestral de todos os Laydner no Brasil.
Weckert foi notável cidadão da pequena Büdesheim que hoje é parte de Bingen junto ao Reno, no Rheinhessen. Ele era vitivinicultor e foi, durante o domínio francês na região, o Maire (prefeito) da localidade (1801-05) e Kirchenmeister, Mestre da “Fábrica da Igreja” (1803-10). Exerceu importante liderança, na retomada das atividades e nas reconstruções, após a libertação.
Peter Weckert teve 14 filhos, entre os quais Maria Theresia, que casou com Peter Josef Leidner, e Catharina Franziska, que casou com Johann Peter Leidner, irmão do anterior.
Dos sete filhos desse casal, três emigraram para o Brasil com o pai viúvo, em 1848. O Dr. Hillebrand escreveu "Leidner" quando registrou a chegada da família a São Leopoldo, mas na terra de origem já fora adotada a grafia "Laydner" usada pela descendência, no Brasil: Johann Carl, que se notabilizou como vitivinicultor, em Santa Maria; e Jakob Ludwig, meu bisavô materno, mestre ourives na mesma cidade.
Assim, toda a descendência Laydner, a partir de Santa Maria, tem como ancestral comum Peter Weckert, meu tetravô.
As fotos mostram a casa de Weckert e a antiga Rathaus, onde ele exerceu seu governo, em Büdesheim, ainda existente e peça importante do patrimônio edificado local.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Kümmel de Lindenau


Lindenau, destacado em amarelo, era um vilarejo do distrito de Danziger-Niederung. Ficava a 50 km ao sudeste de Danzig, hoje Gdansk, na extensa planície na margem esquerda do Rio Vístula.


A localização da aldeia natal do genearca da família Kümmel resultou de uma interessante investigação. Johann Daniel Gottlieb Kümmel chegou à Colônia Alemã de São Leopoldo, na segunda leva de imigrantes, composta de quatro solteiros, em agosto de 1824. Em seu casamento, um ano depois, ele foi citado como "de Lindenau junto a Danzig". Nos batismos de seus filhos, a citação refere-se a "Danziger-Niederung", que era uma região administrativa próxima de Danzig, na província do Reino da Prússia chamada Prússia Ocidental.
A região pertencia à Prússia desde a primeira partilha da Polônia, em 1772. Após Congresso de Viena, houve a reorganização territorial do Reino da Prússia e foi fundado, em 1818, o distrito Danziger-Niederung, que abrangia áreas rurais na planície a leste do Rio Vístula, onde estava Lindenau. Então, quando Kümmel emigrou, em 1824, sua localidade natal pertencia ao citado distrito.
Pelo Tratado de Versalhes, após a 1ª Grande Guerra, a região voltou à Polônia e foi extinto o distrito Danziger-Niederung. A cidade de Danzig foi reconstituída como cidade-livre, com seu primitivo nome de Gdansk, assim como todos os demais topônimos, que receberam nomes poloneses.
Essa é uma frequente dificuldade para localizar a origem de imigrantes da antiga Prússia Ocidental, na atual Polônia. A descoberta de um mapa da área, onde os topônimos têm as denominações polonesas e alemãs trouxe, em parte, a solução, mas Lindenau era uma localidade rural muito pequena e não consta no mapa. Entretanto, um relato de Bruno Flindt, no “Danzig Forum Gdansk”, descreveu a localização: Lindenau ficava 10 km ao sul de Tiegenhof e 8 km a leste de Neuteich. Lindenau tem hoje o nem polonês de Lipinka, um vilarejo de 930 habitantes, a 8,5 km a leste de Nowy Staw ou Neuteich, nome alemão na época prussiana.