sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Philipp Jacob Schirmer – 207 anos


Philipp Jacob Schirmer
Este dia 11 de agosto de 2017 marca os 207 anos do nascimento de Philipp Jacob Schirmer. Ele era o pai de Maria Dorothea que casou com Peter Brenner – meus bisavós paternos. Portanto Philipp Jacob Schirmer é meu trisavô paterno, como também o é do nosso ex-prefeito Cezar Augusto Schirmer.
Quando escrevi sobre ele, em Os primórdios da Comunidade Evangélica Alemã de Santa Maria, há 18 anos, informei que ele nascera em 1810, na cidade de Kalternnordheim, no Reino da Saxônia.
O ano fora deduzido da idade declarada por Philipp quando, aos 19 anos, casou em Campo Bom, em 17.10.1829. O local fora obtido no registro de casamento, onde consta, na tradução:
Maria Catharina Böbion Schirmer
Livro I 1824-1844
Philipp Jacob Schirmer e Maria Catharina Bebian (na verdade, Böbion)
Noivo: o solteiro Philipp Jacob Schirmer, de Kaltennörding, 19 anos, evangélico. Filho legítimo de Georg Schirmer, de Kaltennördig, na Saxônia, e Catharina Elisabeth, nasc. Heinz.
Não sendo identificada Kaltennörding ou Kaltennördig, houve a suposição de que o local fosse Kaltennordheim, cidade no Reino da Saxônia, atualmente Turíngia.
Essa cidade foi, porém, o local de origem do pai de Philipp.

O nascimento de Philipp Jacob Schirmer
Datas e locais certos
Há dois anos, Heinz-Walter Burckhardt, natural de Waldlaubersheim e residente em Frei-Laubersheim, 18 km ao sul, realizou pesquisa de inestimável valor, obtendo o registro de nascimento de Philipp Jacob
Heinz-Walter Burckhardt
Schirmer e o registro de casamento de seus pais. Esses valiosos documentos revelaram nomes, datas e locais.

Os registros foram escritos em francês porque desde a invasão das tropas revolucionárias francesas, em 1794, os territórios germânicos a oeste do Reno foram dominados pela França, notadamente após o ano seguinte, quando, pelo 1º Tratado de Basileia (Basel), o Reino da Prússia reconheceu esse domínio.
Georg Schirmer, natural de Kaltennordheim, migrou para a região do Hunsrück, 200 km ao sudoeste, e estabeleceu-se na pequena Waldlaubersheim. Nessa localidade, o jovem tecelão de 23 anos casou, em 12 de novembro de 1809, com Catharina Elisabetha Heinz, 22 anos, ali nascida.

Trecho inicial do registro de casamento de Georg Schirmer
 com Catharina Elisabetha Heinz.

Tradução: No ano de 1809, dia 12 de novembro, às 10 horas da manhã, perante nós, Joseph Dheil, prefeito de Windesheim, oficial do estado civil da Prefeitura de Windesheim, Cantão Stromberg, Departamento do Reno e Mosel, compareceram George Schirmer, 23 anos, filho menor de Jean Gaspard Schirmer e Catherine Madeleine Flockin, tecelão, natural de Kaltennordheim, na Alemanha, domiciliado em Waldlaubersheim, o pai e a mãe concordam com este casamento que resulta do ato devidamente emitido pelo ministro de Kaltennordheim, em 18 de setembro último e revisado pelo encarregado de negócios franceses em Frankfurt, em 19 de outubro último, e Catherine Elisabete Heinz, solteira, 22 anos, filha maior do agricultor Gaspard Heinz e de Jeannette Heinz, sua esposa, de Waldlaubersheim, ali residente.

O sobrenome da mãe deveria ser Flocke. Flockin é a feminização do nome, como era costume, algumas vezes, na época, conforme encontrei em documentos de outras famílias. O sobrenome Flocke existe atualmente na região e em várias outras da Alemanha.
O registro cita Georg como filho menor e sua noiva como filha maior porque o Código Civil francês de 1804 (artigo 488) estabelecia a maioridade civil aos 25 anos para os homens e aos 21 anos para as mulheres. 
Philipp Jacob foi o primeiro filho do casal, nascido em 11 de agosto de 1810.
Georg Schirmer percorreu os 3 km até a Prefeitura de Windesheim, à qual Waldlaubersheim deveria estar subordinada, e registrou seu primogênito sete horas após o nascimento.


Tradução: No ano de mil oitocentos e dez, a onze de agosto, às duas horas da tarde, perante nós, Joseph Dheil, prefeito e oficial do estado civil da Prefeitura de Windesheim, Cantão de Stromberg, Departamento do Reno e Mosel, compareceu George Schirmer, tecelão domiciliado em Waldlaubersheim, o qual nos apresentou uma criança do sexo masculino, nascida hoje, às sete horas da manhã, dele declarante e de Catherine Elisabete Heinz, sua esposa, e ao qual ele declarou querer dar os prenomes de Philippe Jáques, as ditas declaração e apresentação feitas em presença de Conrad Offenberger, agricultor, com idade de quarenta e um anos, domiciliado em Windesheim, e Philippe Steger, agricultor, com idade de vinte e cinco anos, domiciliado em Waldlaubersheim, e o pai e as testemunhas assinaram conosco o presente registro, depois de feita a leitura.
Mapa da região, onde estão destacasdas liocalidades citadas.

Os franceses consolidaram sua ocupação, organizando a região em Départments e impondo seu sistema administrativo. Os registros de nascimento e de casamentos eram escritos na língua dos invasores, e até mesmo os nomes de batismos dos contraentes e das crianças registradas eram vertidos para o francês.
Assim, os nomes dos pais de Georg Schirmer foram escritos Jean Gaspard e Catherine Madeleine, quando deveriam ser Johann Caspar e Catharina Magdalena. O nome da noiva, escrito Catherine Elisabete, seria Catharina Elisabetha, e os de seus pais, escritos Gaspard e Jeannette, seriam, na verdade, Caspar e Johannetta.
Assinaturas de Caspar Schirmer e de Caspar Heintz

O filho de Georg Schirmer foi registrado Philippe Jaques, quando, certamente na Martinskirche, ele foi batizado Philipp Jacob, nome que usou por toda a vida.
Podemos supor que os casamentos, batismos e confirmações da família Schirmer foram celebrados na Martinskirche, a Igreja de Martin, em Waldlaubersheim. Ela foi construída por volta de 1190, e data dessa época a torre em estilo românico que, em 1500, recebeu a cobertura em gótico tardio, com quatro minitorres nos cantos.
O órgão ali existente foi fabricado, em 1742, pelo famoso Johann Michael Stumm, cuja família produziu mais de 370, dos quais ainda existem 140, considerados como jóias musicais e históricas.
Imigração
A família imigrante Schirmer chegou à Colônia Alemã de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil, em 14.2.1827. Eram Georg Schirmer, sua esposa Katharina Elisabetha e os filhos Philipp Jacob, Kaspar, Jacob e Jacob Adam
Estabeleceram-se no lote colonial nº 207, em Campo Bom, onde, dois anos depois, Philipp Jacob casou com Maria Katharina Böbion, natural de Niederlixweiler/Sarre.
Em 1857, Philipp Jacob Schirmer, com a esposa, filhos, genros, nora e netos – um grupo familiar de 18 pessoas – mudaram para Santa Maria. Estabeleceram-se junto ao Rio Vacacaí-Mirim, em uma grande área adquirida por Philipp com cerca de 260 hectares, da qual o atual sub-bairro Vila Schirmer é uma parte.

Philipp Jacob Schirmer foi personagem de destaque em Santa Maria, especialmente no âmbito da etnia alemã. Em 8.4.1866, ele foi fundador e membro da primeira diretoria da Deutsche Evangelische Gemeinde, a Comunidade Evangélica alemã de Santa Maria. no mesmo ano, em 28 de outubro, ele foi membro da diretoria de fundadores do Deutscher Hilfsverein, a Sociedade Beneficente Alemã que, depois de várias transformações, é hoje a Sociedade Concórdia Caça e Pesca, a mais antiga associação da cidade e uma das mais antigas do Estado.

Philipp Jacob Schirmer faleceu com 70 anos de idade, em Santa Maria, onde viveu por 24 anos, gerando extensa e importante descendência, e onde suas atividades geraram frutos nos setores comunitário, associativo, assistencial e social, que se estendem até a atualidade.
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Fontes:
  • Arquivo pessoal
  • BRENNER, José Antonio. Os primórdios da Comunidade Evangélica Alemã de Santa Maria. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Maria, nº 6, 1999.
  • Pesquisas de Heinz-Walter Burckhardt, Waldlaubersheim, Alemanha.

Um comentário:

Aldema Menini Mckinney disse...

Meus cumprimentos, querido Brenner. Precisão em texto leve e agradável de ler. Perfeito.Bj