domingo, 19 de setembro de 2021

Franz Karl Brenner – 190 anos

 É tempo de lembrar meu bisavô materno, nos 190 anos de seu nascimento.

Franz Karl Brenner nasceu em 17 de setembro de 1831, em Ellweiler, pequena aldeia do Principado de Birkenfeld. Era filho do estalajadeiro Johann Michael Brenner e Maria Dorothea Barth Brenner, natural

de Sötern, 10 km a oeste.

O Principado de Birkenfeld era um território de 503 km2, na região do Hunsrück, um enclave na Província Prussiana do Reno, mas não pertencente a ela. E assim foi mantido até a unificação da Alemanha, em 1871. Em 1817, após o Congresso de Viena (1814-15), que redesenhara o mapa político europeu, depois da derrota da França napoleônica, o Principado passara a pertencer ao Grão-Ducado de Oldenburg.

Ellweiler fica 8 km ao sul de Birkenfeld, cidade sede do Principado e origem da família Brenner da minha linha linha paterna. Teria havido um ancestral comum, o ferreiro Johannes Nikolaus Brenner, nascido em Brücken, em 1657, mas ambas as famílias Brenner não poderiam se considerar parentes. Tal distanciamento na consanguinidade era muito mais acentuado entre meus pais, por isso minha irmã Maria Helena e eu fomos registrados com o duplo sobrenome Brenner de Brenner. 

Além das localidades citadas no texto, o mapa mostra Abentheuer, a oeste, local onde viveu o mais antigo ancestral Brenner que conhecemos. Em 1540, o vilarejo se chamava Leyen, onde a família de Hans Brenner, chamado "der Alte von der Leyen" -- o velho de Leyen --, tinha quatro casas, um moinho e uma serraria movidos a roda d'água.

Emigração - Profissão

Franz Karl Brenner era um adolescente quando emigrou para o Brasil, em 1846, na companhia da família de sua irmã Katharina, 25 anos, casada com Johann Jakob Cullmann e suas três crianças. 

Franz Karl acompanhou por cerca de dois anos a família de sua irmã que se estabeleceu na Colônia Alemã de São Leopoldo. Aos 18 anos mudou-se para Porto Alegre, onde aprendeu o ofício da alfaiataria, residindo na Rua da Praia nº 285, provavelmente na casa de seu mestre alfaiate, como costumavam fazer os aprendizes. Em 1858, com 27 anos, estabeleceu-se em Santa Maria, onde passou a ser chamado Carlos Brenner. Três anos depois, casou com a santa-mariense Christiana Hoffmeister, filha do imigrante Mathias Hofmeister.

Carlos Brenner prosperou com sua alfaiataria e como comerciante, na Rua do Comércio, atual Doutor Bozano. O casal teve 13 filhos, dois dos quais faleceram pouco depois do nascimento. Sua condição financeira possibilitou-lhe enviar seu primogênito para estudar na Alemanha. Ildefonso Brenner, meu avô materno, durante quatro anos estudou na famosa Europäischen Moden-Akademie, Academia Européia de Moda, em Dresden. Os alunos aprendiam contabilidade, aritmética, letras, estilística, idiomas etc. e principalmente método de corte e feitio. Passavam por um treinamento técnico e científico para poder assumir mais tarde a liderança de um negócio maior. Às margens do Rio Elba e cercada pela floresta de Heide, Dresden é conhecida como "a Florença do Elba" devido à harmonia de sua beleza natural com sua belíssima Arquitetura. No final da 2ª Grande Guerra, a cidade, que não tinha alvos militares, foi cruelmente destruída pelos bombardeios Aliados. 

Religião

Carlos Brenner era luterano, assim como também tinham sido os pais de Christiana. Entretanto, ela e seus irmãos haviam sido batizados na Igreja Católica, porque em Santa Maria não havia a Igreja de seus antepassados e eram raras as visitas de pastores itinerantes. A Igreja Luterana-Evangélica de Santa Maria só seria fundada cinco anos após o casamento de Carlos e Christiana, celebrado 10.9.1861 na primitiva igrejinha católica de Santa Maria onde hoje está o monumento ao Cel. Niederauer.

Mas Carlos Brenner estava entre os fundadores da Deutsche Evangelische Gemeinde de Santa Maria da Boca do Monte, a Comunidade Evangélica Alemã, fundada em 8 de abril de 1866. Sua tradição familiar, sua cultura e sua fé religiosa – pois trouxera da Alemanha sua Bíblia luterana, que conservou até sua morte – o mantiveram ligado à religião de seus antepassados. Durante seu curto período em São Leopoldo e, depois, nos nove anos em que vivera em Porto Alegre, Carlos dispusera dos ofícios de sua religião.

A história oral conta que, nas manhãs de domingo, Carlos e Christiana saíam juntos de sua casa na Rua do Comércio, mas tomavam rumos diferentes: Ele ia ao culto na igreja luterana, na Praça da República (atual “dos Bombeiros”), enquanto ela se dirigia à matriz católica na Capela do Divino, na Av. Rio Branco, esquina Rua dos Andradas.

Filhos

O casal teve 13 filhos, dois dos quais faleceram pouco depois do nascimento.

Ildefonso ê13.06.1862  10.04.1951

Germano ê 8.1.1864  20.3.1928

Etelvina Veronica ê 4.2.1866  - 7.5.1957

Júlio ê 24.2.1868   -     12.02.1939

Isabel ê11.11.1869    5.4.1898 (c/ 28 anos e 6 meses).

Percival ê15.2.1871  24.8.1949

Alfredo ê23.5.1874  28.2.1935

Fructuosoê18.9.1876 Santa Maria  

Albino ê15.2.1879   24.3.1879 (c/40 dias)

Adelma ê 8.3.1880 22.9.1960

Alice ê14.9.1882 14.9.1918 (no dia em que completava 36 anos)

  • José  ê18.4.1885  20.4.1885 Santa Maria  (c/2 dias)

    Oscar ê14.9.1886 

      

    Carlos Brenner faleceu com 73 anos de idade, em 18.10.1904, e sua viúva Christiana lhe sobreviveu apenas 19 horas. Ela já sofria de grave doença e não suportou a perda do marido, morrendo no dia seguinte, com 60 anos de idade.

    À direita, o necrológio publicado na 1ª página do jornal santa-mariense O Combatente, em 23.10.1904, obtido na hemeroteca digital da Casa de Memória Edmundo Cardoso, em Santa Maria.


      Mausoléu 


      Seus filhos mandaram construir um belíssimo mausoléu, com cripta, cuja arquitetura tem inspiração neoclássica, no então cemitério evangélico, depois absorvido pelo cemitério municipal. Para isso contrataram J. Aloys Friedrich, empresa de Porto Alegre especializada em marmoraria e arte funerária.

      A lápide é uma obra de arte escultórica cuja inscrição revela o reconhecimento dos valores morais do falecido casal: o Amor, o Dever e a Honra.



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